Homem é imobilizado com mata-leão por PMs na Praça Roosevelt em SP
Homem sofre mata-leão de PMs na Praça Roosevelt em SP

Vídeos gravados por testemunhas e enviados ao g1 mostram uma abordagem policial que terminou com um morador imobilizado no chão e submetido a um golpe conhecido como "mata-leão" enquanto se exercitava na Praça Franklin Roosevelt, no Centro de São Paulo, na quinta-feira (2). O uso do mata-leão em abordagens policiais foi proibido pela Polícia Militar de São Paulo em 2020, após um caso de violência policial em João Ramalho, no interior do estado.

Como ocorreu a abordagem

Segundo relatos de moradores, o homem foi abordado sob suspeita de fumar maconha no local. As imagens registram o momento em que ele aparece em pé, próximo aos equipamentos de ginástica da praça, discutindo com policiais militares. Durante a abordagem, gesticula enquanto é cercado por agentes e, em determinado momento, diz: “Prova, então”. Na sequência, a situação se intensifica. O morador é derrubado no chão por policiais e imobilizado. Em um dos vídeos, é possível ver o momento em que um dos agentes aplica o golpe, deixando o homem inconsciente por alguns segundos.

Reação de moradores

Um morador da região, que preferiu não se identificar, afirmou ao g1 que o homem abordado frequenta diariamente a praça para se exercitar e é conhecido por todos. Segundo o relato, a abordagem começou após um policial questionar se ele estaria fumando maconha enquanto treinava. O homem negou a acusação e desafiou o agente a provar a suspeita. A discussão escalou até a agressão registrada nas imagens. “Em um dos vídeos claramente conseguimos ver que os policiais desmaiam o rapaz”, afirmou o morador.

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Após a abordagem, o homem foi levado inicialmente ao 4º Distrito Policial e, depois, encaminhado para outra delegacia. Segundo o morador, ele foi liberado no mesmo dia, e os policiais registraram boletim de ocorrência por desobediência e resistência.

Queixas recorrentes sobre atuação policial

O caso gerou preocupação entre frequentadores e moradores da região. Segundo o morador, a praça conta com um coletivo de vizinhos que atua na preservação e defesa do uso do espaço público. Pessoas que vivem na região relatam problemas recorrentes envolvendo a atuação policial, como viaturas circulando em alta velocidade e, em algumas ocasiões, na contramão pela Rua Gravataí. O morador também criticou a atuação da base policial instalada na praça em situações de emergência. Segundo ele, quando um incêndio atingiu a casa de um morador no começo do ano, policiais teriam se recusado a fornecer extintores e orientado a população a acionar o 190. “Existem inúmeros policiais bons na corporação, porém alguns acabam manchando a corporação”, disse.

O g1 questionou a Secretaria da Segurança Pública sobre essas reclamações, mas não obteve retorno até a publicação da reportagem.

Nota oficial da Polícia Militar

Em nota, a Polícia Militar informou que, durante atividade delegada realizada na Praça Franklin Roosevelt, uma equipe policial observou três pessoas em atitude suspeita e em aparente consumo de substância ilícita. Com isso, os agentes abordaram essas pessoas. "Na tentativa de abordagem, ao perceber a aproximação da equipe, um dos abordados passou a desacatar os policiais deliberadamente, desobedecendo às ordens emanadas dos agentes, resistindo à abordagem e tentando evadir-se do local. Diante da situação, foi necessário uso proporcional da força para a contenção do indivíduo." A ocorrência foi apresentada no 78º Distrito Policial, onde foi registrado boletim de ocorrência pelos crimes de desacato e resistência.

Proibição do mata-leão

O uso do mata-leão em abordagens policiais foi proibido pela corporação em 2020, dias depois que um vídeo circulou nas redes sociais mostrando policiais militares dando uma chave de braço e sufocando um jovem negro na cidade de João Ramalho, no interior de São Paulo. A proibição visa evitar lesões graves e mortes durante abordagens.

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