Ginecologista é denunciado por mais 10 pacientes; total chega a 16 casos de abuso
Ginecologista tem mais 10 denúncias de abuso; total vai a 16

O ginecologista Carlos Alfredo Mendes de Oliveira, de São João de Meriti, na Baixada Fluminense, foi denunciado por mais 10 pacientes após a exibição de reportagens do RJ1 sobre supostos abusos sexuais. Com isso, a Polícia Civil já investiga 16 casos. As vítimas afirmam que os abusos ocorreram durante consultas médicas.

Relatos de abuso

Uma mulher grávida relatou que o toque do médico foi diferente: ele colocou as mãos em suas coxas e fez movimentos circulares, descendo para a parte interna. Após o exame, ele pediu que ela tirasse o roupão e andasse pelo corredor, em uma postura considerada inadequada para um médico. A paciente carregou essa dor por 14 anos até ouvir relatos de outras vítimas.

Novas denúncias

Nesta segunda-feira (8), mais vítimas procuraram a Delegacia de Atendimento à Mulher de São João de Meriti. Todas afirmam terem sido abusadas pelo médico. Desde a primeira reportagem, 10 novas mulheres registraram boletim de ocorrência, totalizando 16 casos. Os relatos são semelhantes: abusos ocorridos durante consultas, quando estavam sozinhas com o médico.

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Uma paciente contou que, após o exame preventivo, o médico perguntou se ela fazia sexo anal, o que a deixou confusa.

Investigação e justiça

Em 25 de março, a polícia pediu a prisão do médico com base em dois inquéritos. A Justiça negou o pedido em 1º de abril, alegando que se tratava de um idoso e que a prisão seria desproporcional. O médico teve o registro profissional suspenso e deve comparecer em juízo para justificar suas atividades.

O Tribunal de Justiça informou que o processo tramita em segredo de justiça e não confirmou se o caso será reaberto com as novas denúncias.

Histórico de arquivamento

Uma mulher que denunciou o médico em outubro de 2020 teve o caso arquivado por falta de provas. Ela relatou que o abuso ocorreu durante um exame preventivo em uma unidade pública de saúde. O médico teria apalpado seus seios, dado tapinhas em suas nádegas e pedido que ela se vestisse. Quatro anos depois, ela tentou reabrir a investigação, mas o pedido foi negado. Nesta segunda, ela voltou à delegacia pela terceira vez.

Fiscalização

O registro de Carlos Alfredo no Conselho Regional de Medicina (Cremerj) está suspenso. No entanto, o porteiro do consultório afirmou que ele atendeu de manhã. Uma equipe do Cremerj esteve no local, que estava fechado e sem placa de identificação. A diretora de Fiscalização, Renata Lima, disse que o processo está sob sigilo na Corregedoria.

A reportagem tentou contato com o médico, mas ele não respondeu às ligações.

Sentimento de impunidade

As vítimas expressam sensação de abandono e impunidade. Uma delas disse: 'Parece que tudo que é feito para a mulher é menos visível. Mesmo com leis de proteção, elas não são aplicadas como deveriam.'

A Prefeitura de São João de Meriti informou que o médico trabalhou na rede municipal até 2023, mas não tem mais vínculo com a cidade.

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