Vilmar Aparecido dos Santos, de 45 anos, prestou depoimento à Polícia Civil em Londrina, no Norte do Paraná, negando as acusações de maus-tratos contra a própria mãe, uma idosa de 83 anos. O caso veio à tona após um princípio de incêndio na residência onde ambos moravam, no domingo (21). Bombeiros que atenderam a ocorrência encontraram a idosa em situação precária e acionaram a Polícia Militar, que efetuou a prisão na segunda-feira (22). Vilmar foi liberado no mesmo dia após audiência de custódia, mas deve manter distância mínima de 100 metros da mãe.
Vizinhos relataram violência física e abandono
De acordo com o boletim de ocorrência, vizinhos contaram aos policiais que Vilmar afirmava que a mãe estava morta havia meses. Apenas com o incêndio descobriram que ela ainda estava viva. Os vizinhos também relataram violência física: o filho empurrava a cabeça da idosa em um tanque cheio de água e a obrigava a beber. Havia denúncias anteriores junto ao Cras e Creas.
A PM constatou que a idosa não tomava banho há muito tempo e apresentava diversos problemas de saúde. Na cozinha, o fogão estava sujo, com restos de comida e sem gás. Não havia geladeira nem mantimentos. No banheiro, não havia chuveiro e o vaso sanitário estava sujo. No quarto da idosa, havia lixo no chão e roupas ensacadas. O princípio de incêndio ocorreu nesse cômodo.
Filho sacava aposentadoria e tinha seguro de vida
Consta no boletim que Vilmar saca a aposentadoria da mãe e não trabalha. Ele afirmou que ela fez uma procuração em 2011, dando-lhe direito sobre o dinheiro. Os policiais encontraram um empréstimo em nome da idosa e um seguro de vida, vencido em 2016, do qual ele era beneficiário.
A delegada Livia Pini informou na quarta-feira (24) que investiga se houve cárcere privado e se a mulher era acompanhada pelo sistema de Saúde. A idosa foi acolhida pela assistência social da prefeitura de Londrina e encaminhada a um abrigo especializado.
Em depoimento, filho nega acusações
Vilmar prestou depoimento e negou as acusações. Disse ser filho adotivo e que a mãe sempre foi bem tratada. Sobre a alimentação, afirmou que cozinhava para ela, mas o gás havia acabado há três dias. Alegou que a casa estava em más condições por serem pobres: “A casa não estava em condições excelentes, porque a gente é pobre. O dinheiro é da minha mãe. Ela só tem a aposentadoria dela. Eu tive que deixar tudo, minha vida de lado, para poder cuidar dela.”
Questionado sobre a higiene, respondeu que a idosa se negava a tomar banho e que não havia chuveiro, usando um balde. A delegada perguntou se ela tinha problemas de saúde quando a procuração foi feita; ele não soube informar. Vilmar não possui defesa constituída no processo.



