Filha de vítima de feminicídio descreve ex-padrasto como 'controlador'
Filha de vítima de feminicídio: 'Era muito controlador'

Condenação por feminicídio no Distrito Federal

O Tribunal do Júri de Brasília condenou Janilson Quadros de Almeida, de 37 anos, a 39 anos, nove meses e 22 dias de prisão em regime inicial fechado pelo homicídio qualificado de sua ex-companheira, Daniella De Lorena Pelaes, de 46 anos. O crime ocorreu em maio de 2024, em um condomínio no Jardim Botânico, no Distrito Federal. A vítima era funcionária da Telebras. Após o ataque, Janilson tentou tirar a própria vida.

Comportamento controlador

Na sentença, o juiz destacou que o réu apresentava atitudes ciumentas, possessivas e controladoras, além de não aceitar o término do relacionamento. A filha de Daniella, Gabriella Pelaes, que tinha 17 anos na época e presenciou o crime junto com os irmãos, descreveu o comportamento do agressor: "Ele era muito controlador. Parecia que ele se importava demais de primeira. Depois, começou a ficar muito intenso. Ele queria controlar com quem ela falava, como ela falava, com quem ela saía, o que ela escutava de música".

Consequências para a família

Daniella deixou três filhos, todos menores de idade à época, além de pais e outros familiares. O magistrado considerou que as consequências do crime vão além da morte, devido ao sofrimento causado aos parentes. Além da prisão, o réu foi condenado a pagar indenização mínima de R$ 50 mil e não poderá recorrer em liberdade.

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Relembre o caso

Daniella estava separada do agressor há mais de um ano e havia se mudado do Amapá para Brasília com os filhos, motivada pelo comportamento agressivo do ex-companheiro. Dois meses antes do crime, a vítima e os filhos estavam sob medida protetiva, que impedia Janilson de contatá-los e exigia distância mínima de 300 metros. No entanto, no início de maio, Daniella retirou a medida porque o agressor disse ter mudado e queria visitar o filho de 3 anos.

No dia do crime, Janilson enviou mensagem para Daniella por volta das 5h, pedindo para ver o filho. Ela recusou devido ao horário. Ele foi ao condomínio, passou pela cancela (pois tinha acesso de morador) e arrombou a casa. Após o feminicídio, tentou se matar com golpes de faca, sendo socorrido pelo Samu e preso em flagrante no Hospital de Base.

Canais de denúncia

A Secretaria de Segurança Pública do DF oferece canais 24h para denúncias de violência contra a mulher: telefones 197 e 190, e-mail denuncia197@pcdf.df.gov.br, delegacia eletrônica e WhatsApp (61) 98626-1197. O DF conta com duas Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deam), na Asa Sul e em Ceilândia, mas denúncias podem ser feitas em qualquer unidade policial.

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