Família questiona uso de fogo em terreiro após morte de mulher queimada
Família questiona uso de fogo em terreiro após morte

A família de Caroline Pinto dos Santos, de 32 anos, que morreu 25 dias após ter 65% do corpo queimado durante uma cerimônia em um terreiro de candomblé na Zona Oeste do Rio, questiona o uso de fogo dentro de um ambiente fechado. A irmã dela, Carina dos Santos, afirmou ao RJ2 que a vítima estava agachada em um canto limpando um produto que havia caído perto de estátuas sagradas quando foi atingida pelas chamas. Ela destacou que havia diversas crianças no local, que era fechado.

Relato da irmã e críticas ao ocorrido

“Eu quero justiça pela minha irmã. Ela não merecia. Era uma gira e tinha um monte de criança. Um ambiente fechado. Por que eles vão usar um produto inflamável para colocar fogo no ambiente fechado? Tem alguma explicação?”, questionou Carina. Ela acrescentou que os responsáveis não prestaram apoio à família: “Única vez que eu a vi foi no dia que levaram a minha irmã para o hospital queimada. A obrigação deles era estar ali junto, prestando socorro independente de qualquer coisa. Quem não tem culpa, não foge da família. Por que fugiu?”.

O acidente e as imagens

Um vídeo mostra um homem se aproximando de uma cumbuca com fogo e adicionando mais combustível. Segundo a família, o homem é Gabriel Pimentel, esposo da yalorixá Thayane Alves, responsável religiosa de Caroline. As chamas subiram intensamente e atingiram a vítima, que foi levada ao Hospital Pedro II, em Santa Cruz. Caroline faleceu na quinta-feira (9) e será sepultada no sábado (11) no Cemitério Jardim da Saudade de Paciência.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Vítima deixa três filhas

Caroline deixa três filhas, de 16, 10 e 5 anos. Uma das filhas escreveu nas redes sociais: “mãe, você sempre será minha saudade eterna”. A irmã completou: “Minha irmã é uma pessoa maravilhosa. Ela não fez mal pra ninguém. Sempre foi muito alegre. Era de muita fé. Eu que perdi toda fé que eu tinha, isso não é normal, só quero justiça”.

Nota da yalorixá e investigação

A yalorixá publicou uma nota de esclarecimento no Instagram, depois desativou as redes. Ela afirmou que o babalorixá que comanda o terreiro não teve relação com o uso de combustível nem era responsável pela vida religiosa de Caroline. Disse ainda que “o ritual religioso realizado na ocasião possuía caráter estritamente particular, sendo conduzido exclusivamente por mim e por meu esposo”. Classificou o ocorrido como “acidente de natureza inesperada e imprevisível”. O caso foi registrado na 35ª DP (Campo Grande) e encaminhado para a 33ª DP (Realengo), que apurava como lesão corporal culposa.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar