Ex-prefeito de Campo Grande morre após passar mal em presídio
Ex-prefeito de Campo Grande morre após mal súbito em presídio

O ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, morreu na madrugada desta segunda-feira (13) após passar mal no Presídio Militar Estadual, onde estava preso. A defesa informou que havia protocolado três pedidos de prisão domiciliar e dois habeas corpus antes do ocorrido, todos negados. A causa da morte ainda não foi divulgada.

Defesa alertou para risco de morte súbita

Segundo o advogado Ricardo Machado, o último pedido de prisão domiciliar humanitária foi apresentado à 1ª Vara do Tribunal do Júri com laudos médicos que indicavam alto risco de morte súbita. “Estava preparando outro pedido da última decisão de indeferimento, mas infelizmente não deu tempo”, afirmou. Os exames mostravam obstruções de 70% a 90% nas artérias coronárias, além de reoclusão de 90% na região de um stent antigo. Bernal já havia sofrido três infartos e tinha diagnóstico de doença arterial coronariana multiarterial grave, hipertensão e diabetes. Laudos psiquiátricos apontavam depressão grave e crises de pânico, agravadas pelo estresse da prisão.

Presídio não tem estrutura para emergências

A defesa anexou um ofício do diretor do Presídio Militar Estadual informando que a unidade não possui leitos de alta complexidade, UTI, Unidade Coronariana, médico cardiologista de plantão nem garantia de chegada imediata de ambulâncias do Samu em casos de parada cardiorrespiratória. A administração da medicação diária (mais de dez medicamentos controlados) ficava a cargo do próprio preso. “Manter o custodiado em um local sem assistência médica imediata, sabendo que a janela de socorro vital para um infarto é de poucos minutos, transforma a prisão preventiva em uma antecipação de pena cruel”, argumentou a defesa na petição.

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Internações e negativas da Justiça

Bernal havia sido internado em 30 de junho após passar mal no presídio, passou por procedimento cardíaco e recebeu alta. No fim de semana, passou mal novamente e foi levado à Santa Casa, um dia após a Justiça negar o pedido de prisão domiciliar. No hospital, foi para a UTI, mas não resistiu. O STJ havia negado habeas corpus em 30 de junho, e o TJMS determinara que ele fosse a júri popular.

Prisão por homicídio

Bernal respondia pela morte do servidor público Roberto Carlos Mazzini, ocorrida durante disputa pela posse de um imóvel. Segundo a investigação, Bernal atirou duas vezes contra a vítima e fugiu sem prestar socorro. Apresentou-se à polícia horas depois e permaneceu preso no Presídio Militar.

Trajetória política

Natural de Corumbá, Bernal foi vereador, deputado estadual e prefeito de Campo Grande (2012-2014), quando teve o mandato cassado por irregularidades em contratos emergenciais. Em 2015, retornou ao cargo por decisão do TJMS e cumpriu o mandato até 2016. Disputou a reeleição, mas não passou ao segundo turno, ficando a 2.630 votos de diferença.

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