Ex-consultora da Cacau Show é investigada por golpe de R$ 370 mil no DF
Ex-consultora da Cacau Show investigada por golpe de R$ 370 mil

A Polícia Civil do Distrito Federal investiga uma ex-consultora da rede de franquias da Cacau Show suspeita de aplicar golpes em pelo menos duas franqueadas da marca de chocolates. De acordo com as denúncias, Lilmara Neto Oliveira desviou ao menos R$ 370 mil das lojas – valores que deveriam ter sido repassados à empresa para quitar dívidas e pagar a reposição dos estoques. Os casos são investigados como estelionato.

Vítima fechou loja em Samambaia

A empresária Lucifátima Seabra precisou encerrar as atividades da loja que mantinha em Samambaia Sul, no DF. Ela relatou à TV Globo que lidava com Lilmara Oliveira durante grandes campanhas de venda, em datas comemorativas. Como consultora, Lilmara deveria facilitar serviços, como troca de produtos, e intermediar os pagamentos entre a franquia e a empresa, ou entre diferentes franqueados. No fim de 2025, no entanto, Lucifátima descobriu que Lilmara estava embolsando o dinheiro.

"Em campanhas muito grandes, como Páscoa e Natal, é muito comum na rede a gente fazer repasse entre franqueados. A Lilmara fazia esses repasses e, depois, indicava a conta para efetuar o pagamento", relata. Segundo a empresária, os valores eram enviados via PIX para contas de terceiros. "Posteriormente, descobri que não estavam sendo repassados para os franqueados, mas para a conta de pessoas ligadas a ela. E, uma vez, até para uma conta de pessoa jurídica dela", diz.

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Com o desvio, a loja de Lucifátima foi bloqueada pela Cacau Show. O prejuízo estimado por ela chega a R$ 200 mil. "A nossa loja teve que fechar em dezembro por falta de produto. A gente ficou sem receber nenhum produto deles [Cacau Show], até o nosso sistema de passar as compras foi bloqueado e a gente ficou impossibilitado de continuar com a operação", afirma.

Outra vítima teve de vender bens

Outra vítima, a empresária Keila Cristina Moreira precisou vender bens para tentar cobrir um rombo de R$ 170 mil. Ela era dona de duas lojas da Cacau Show – e repassou dinheiro a Lilmara Neto Oliveira acreditando que estava pagando débitos de uma das unidades, na Asa Sul. "Nunca foi paga a minha dívida. Só que, passado um mês e pouco, veio o jurídico da Cacau Show me dizendo que eu estava devendo, sendo que eu já tinha pago [...] Eu confiava nela cegamente. Tanto que, quando ela falava 'passa para essa empresa, passa para conta jurídica', eu passava. No meu ver, ela estava pagando os boletos."

Segundo as vítimas, Lilmara está fora de Brasília e não atende ligações. A polícia ainda não a ouviu. O g1 não conseguiu contato com a defesa de Lilmara Neto Oliveira até a última atualização desta reportagem.

O que diz a Cacau Show

Em nota, a Cacau Show afirmou que identificou o problema e demitiu a colaboradora por justa causa. "Assim que identificado o caso, a companhia realizou uma apuração interna e desligou por justa causa a colaboradora envolvida, além de proativamente acionar as autoridades competentes com encaminhamento de evidências dos achados na auditoria. Os franqueados afetados também foram orientados a registrarem um boletim de ocorrência. A empresa também iniciou de imediato os trâmites para a devolução integral dos valores desviados aos franqueados identificados como afetados. Ainda sobre este tema, a companhia reforçou junto à rede os procedimentos e canais oficiais para prevenir situações semelhantes. O caso segue sob investigação policial, e a empresa permanece à disposição das autoridades para colaborar com a apuração dos fatos."

Lilmara Oliveira é alvo de três ocorrências registradas por estelionato, sendo duas em Taguatinga e uma em Samambaia. Ela ainda não foi ouvida formalmente pela polícia.

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