Um cliente utilizou Inteligência Artificial (IA) para inserir a imagem de uma barata sobre um hambúrguer e solicitar reembolso de um pedido feito em uma hamburgueria de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. O caso ocorreu no dia 27 de fevereiro, quando o pedido foi realizado às 19h28 por meio de um aplicativo de delivery. O lanche chegou ao cliente cerca de meia hora depois, às 19h57. Horas mais tarde, às 21h04, o cliente pediu o reembolso, anexando uma foto da suposta barata e uma mensagem: "Veio uma barata no meu hambúrguer e chegou aberta a embalagem. Perdi meu dinheiro e fiquei sem lanche, deu nojo de comer tudo 😡😡😡".
Suspeitas do estabelecimento
Ao analisar a foto, os funcionários da hamburgueria notaram inconsistências. Alisson Zen, proprietário do estabelecimento, explicou: "A barata estava totalmente limpa. A gente também não coloca maionese na tampa do pão. Como que tem maionese na tampa do pão [da foto], sendo que a gente sempre coloca embaixo?". Ele também percebeu que a cor da maionese estava diferente do habitual. O restaurante enviou um motoboy ao endereço do cliente para recolher o lanche com a suposta barata, mas o cliente não atendeu.
Consequências legais
O delegado Emmanoel David alertou que a prática de usar IA para golpes está se tornando comum. "Se ele estiver imputando uma prática criminosa àquela empresa ou restaurante, ele pode responder ainda por falsa comunicação de crime, além do estelionato consumado ou tentado", afirmou. Ele orienta que, em casos semelhantes, é importante verificar detalhes como a ordem dos produtos, cores e lacres invioláveis. "Ele pode trazer também fotos ou vídeos da construção daquele alimento, por exemplo. Mostrar que o lacre era inviolável, que era impossível ter uma barata dentro daquele alimento... Isso são elementos mínimos para mostrar que quem agiu de má-fé, na verdade, foi aquele consumidor final", orienta o delegado.
Frequência de golpes com IA
Segundo o delegado, o uso de inteligência artificial para aplicar golpes está cada vez mais frequente. Ele recomenda que estabelecimentos mantenham registros detalhados da produção dos alimentos, como fotos e vídeos, para se protegerem de acusações falsas. O caso foi registrado e o cliente pode responder por estelionato e falsa comunicação de crime.



