Na manhã de sábado, 6 de julho, véspera da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, um casal foi alvo de um ataque homofóbico dentro de um vagão da Linha 4-Amarela do metrô. A agressão verbal foi registrada em vídeo por uma das vítimas, que preferiu não se identificar e será chamada aqui de Henrique.
Detalhes do ataque
Segundo Henrique, ele e o marido voltavam de um festival de música eletrônica no Autódromo de Interlagos, na Zona Sul da capital. Após caminharem mais de 6 km até o transporte público, estavam exaustos. Embarcaram na Linha 9-Esmeralda e fizeram baldeação para a Linha 4-Amarela. Na estação Pinheiros, por volta das 5h, Henrique encontrou um assento vazio e sentou-se. O marido, para descansar, sentou-se na ponta de seu joelho por alguns instantes.
Henrique explica: "Ele não sentou no colo. Sentou na ponta do meu joelho, meio de lado. Eu já ia pedir para ele levantar, pois estava pesado. Nesse momento, um senhor sentado ao meu lado começou a questionar." O passageiro perguntou se Henrique estava cansado; ele respondeu que sim e que o marido logo se levantaria. O homem então se levantou e passou a gritar ofensas homofóbicas.
Reação do agressor e dos passageiros
No vídeo, o homem grita: "Vocês têm que me respeitar. Eu respeito vocês, cara, porra. Não pode ser assim. Porra, está de brincadeira. Tudo tem limite. Você gostaria de dois homens sentados do seu lado? Que isso, cara. Levanto de madrugada e vem fazer essa palhaçada do meu lado." Durante o ataque, nenhum passageiro interveio. Alguns observavam em silêncio, outros riam.
Henrique relata: "Acho que inicialmente pensaram que era briga por assento. Depois entenderam que era homofobia, mas ninguém fez nada. Ele começou a gritar e a incitar outras pessoas contra nós. Não nos beijamos, não fizemos carinho. Ele só sentou na ponta do meu joelho. Nada justifica aquela agressão. Percebi no olhar das pessoas que elas não me apoiavam, algumas com olhar recriminador."
Consequências emocionais
Henrique afirma que o episódio trouxe graves impactos emocionais. "Estou tendo muitos pesadelos. Achei que não ficaria tão impactado, mas fiquei. Toda vez que vejo o vídeo, começo a tremer. Estou tremendo até agora." Com medo de agressão física, ele decidiu não reagir e impediu o marido de responder. Quando o trem passou pela estação Oscar Freire, o casal mudou de vagão. O agressor permaneceu e desceu na estação Paulista.
Posicionamento da concessionária
A Motiva, concessionária que administra a Linha 4-Amarela, lamentou o ocorrido e repudiou qualquer forma de discriminação. Informou que não foi acionada para a ocorrência e orienta que, em casos de discriminação, os passageiros procurem agentes das estações para receber apoio e que as providências cabíveis sejam tomadas. "Nossas equipes são continuamente capacitadas para acolher as vítimas e promovemos ações permanentes de conscientização", disse em nota.
*Nome da vítima alterado para preservar sua identidade.



