A Polícia Civil do Distrito Federal ouviu o ex-presidente Jair Bolsonaro, na tarde desta terça-feira (23), no inquérito que apura a apreensão de uma arma registrada em nome dele durante uma blitz na semana passada. No depoimento, Bolsonaro admitiu que a arma de fogo apreendida é sua e que estava em sua residência durante o cumprimento de sua prisão domiciliar.
Depoimento de 5 minutos
O delegado Thiago Boeing, da 17ª Delegacia de Polícia, chegou ao condomínio onde Bolsonaro cumpre prisão domiciliar por volta das 14h30 e saiu 40 minutos depois, às 15h10. Segundo a defesa do ex-presidente, Bolsonaro falou por cerca de 5 minutos e repetiu a versão já apresentada ao Supremo Tribunal Federal (STF): que pediu ajuda a um militar da segurança presidencial por identificar que a pistola Glock 9mm não estava funcionando. Ele disse que não pediu que o militar retirasse a arma do condomínio para conserto, mas apenas que verificasse o funcionamento.
Reação de Moraes
Nesta quarta-feira (24), o ministro do STF Alexandre de Moraes pediu que a Procuradoria-Geral da República (PGR) analise se a apreensão da arma pode impactar a prisão domiciliar de Bolsonaro. "Comete falta grave o condenado à pena privativa de liberdade que 'possuir, indevidamente, instrumento capaz de ofender a integridade física de outrem'", afirmou Moraes. O advogado de Bolsonaro, Paulo Cunha Bueno, avaliou que o episódio não deve impactar a decisão sobre a prorrogação da prisão domiciliar, já que as medidas cautelares não previam a entrega das armas.
Apreensão em blitz
A pistola, registrada em nome de Bolsonaro, estava no carro de um militar do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), atualmente vinculado à Casa Civil, responsável pela segurança de ex-presidentes. A arma foi apreendida por não estar acompanhada do certificado de registro. Investigadores ouvidos pela TV Globo apontam que as condutas podem ser enquadradas como infração administrativa (porte de arma sem documentação) ou violação do Estatuto do Desarmamento, com pena de 3 a 6 anos de prisão e multa. O caso é investigado pela Polícia Civil do DF e acompanhado pelo STF.



