Como as bets são usadas para lavar dinheiro do crime organizado
Investigações policiais em andamento revelam que organizações criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e facções do tráfico de drogas, têm utilizado empresas de apostas esportivas (bets) para lavar dinheiro ilícito. Megaoperações realizadas nos últimos meses bloquearam bilhões de reais em contas e ativos ligados a esses esquemas.
Megaoperações bloqueiam bilhões
Em uma das maiores ações, a Polícia Federal e o Ministério Público de São Paulo bloquearam mais de R$ 2 bilhões em contas bancárias e bens de suspeitos. As investigações indicam que os valores eram transferidos para empresas de apostas, muitas vezes registradas em nome de laranjas, para ocultar a origem criminosa.
Segundo o delegado responsável, Carlos Mendes, "as bets se tornaram um mecanismo eficiente para a lavagem de dinheiro, pois permitem a movimentação de grandes quantias com baixa fiscalização". As apurações mostram que os criminosos criam perfis falsos e realizam apostas de alto valor, misturando recursos lícitos e ilícitos.
Esquema envolve laranjas e empresas de fachada
As investigações apontam que os suspeitos utilizam uma rede de laranjas para abrir contas em casas de apostas. Essas contas são alimentadas com dinheiro do tráfico e do PCC, e depois os valores são sacados como se fossem ganhos legítimos. Em alguns casos, as próprias empresas de apostas são de fachada, criadas exclusivamente para a lavagem.
Dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) indicam que, somente em 2025, foram registrados mais de 10 mil alertas de movimentações suspeitas envolvendo bets. O número representa um aumento de 300% em relação a 2023.
Impacto nas investigações e na legislação
As operações policiais têm enfrentado desafios para rastrear o dinheiro, devido à rapidez das transações e ao uso de criptomoedas em algumas plataformas. O governo estuda novas regras para o setor de apostas, incluindo a obrigatoriedade de identificação dos apostadores e o compartilhamento de dados com as autoridades.
O promotor de Justiça, Ricardo Oliveira, afirmou: "Precisamos de uma regulamentação mais rígida para evitar que o crime organizado se aproveite desse mercado". As investigações continuam, e novas operações são esperadas nos próximos meses.



