Artesã denuncia envenenamento com mercúrio por aluna em projeto social no Recife
Dores abdominais, dificuldade para andar, queda de cabelo e tontura são alguns dos sintomas enfrentados pela artesã Denny Cardoso, que afirma ter sido envenenada com mercúrio durante meses enquanto trabalhava em um projeto social no Recife. Laudos periciais atestaram a intoxicação pelo metal líquido altamente tóxico. A suspeita é Maria Aparecida Rodrigues de Araújo, aluna da ação social.
O caso é investigado pela Polícia Civil, sob responsabilidade da Delegacia da Boa Vista, no Centro do Recife. O inquérito está aberto há mais de um ano. Após a primeira reportagem sobre o caso, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) agendou consulta com neurocirurgião para Denny, que aguardava pelo atendimento desde janeiro.
Sintomas da intoxicação
Denny começou a sentir os sintomas no segundo semestre de 2024: dores abdominais, músculos enrijecidos e dificuldade para andar e urinar. Ela já sofria de fibromialgia e inicialmente confundiu os sinais, mas os novos sintomas eram mais intensos. Em junho de 2025, ao denunciar o caso à polícia, relatou também tontura, visão ofuscada e queda de cabelo. Atualmente, sente dores no abdômen, tem movimentos reduzidos, compressão na medula e neuropatia. Anda com auxílio de muletas e faz tratamentos médicos e fisioterapia.
Segundo a OMS, o limite de ingestão de mercúrio é de 0,23 micrograma por peso corporal/dia para mulheres e crianças, e 0,45 para homens adultos. Denny afirma que exame toxicológico indicou 21 microgramas de mercúrio por mililitro de sangue. Especialistas explicam que a ingestão do metal afeta o sistema nervoso central, podendo causar lesões cerebrais irreversíveis, além de problemas cardíacos e riscos para gestantes.
Como ocorreu o caso
Denny suspeitou da água após sentir “bolinhas” no líquido. Chegou a retirar parte da substância com o dedo e guardou para entregar às autoridades. Antes, já havia desconfiado da aluna ao flagrá-la mexendo na garrafa. “Ela disfarçou, como se estivesse tirando a garrafa de um lugar para outro”, disse Denny ao g1. Ela então passou a filmar a aluna com o celular escondido. Em duas ocasiões, flagrou a mulher colocando algo na garrafa. Na segunda vez, chamou a Polícia Militar, que levou ambas à delegacia.
O boletim de ocorrência registra que a suspeita negou o envenenamento, mas policiais encontraram resíduos de pó no fundo da bolsa dela, e ela tentou retirar o objeto das mãos dos agentes.
O que diz a polícia
O caso é investigado pela Delegacia da Boa Vista desde junho de 2025. Segundo a vítima e seu advogado, todos os laudos periciais foram concluídos, mas o inquérito ainda não foi finalizado. A Polícia Civil não explicou a demora nem informou por qual crime Maria Aparecida é investigada. A corporação apenas afirmou que o caso segue sob investigação e que não pode divulgar mais detalhes para não comprometer as diligências.



