Alunos denunciam assédio sexual de professor de educação física no DF
Alunos denunciam assédio de professor no DF

Alunos do Centro de Ensino Médio 03 de Ceilândia, no Distrito Federal, denunciam supostos casos de assédio sexual envolvendo um professor de educação física da instituição. Pais registraram denúncia na ouvidoria da Secretaria de Educação e boletim de ocorrência na delegacia de Ceilândia por importunação sexual em ambiente escolar.

Após as denúncias, a escola realizou uma reunião com os responsáveis e sugeriu que o professor se afastasse das aulas, mas ele teria recusado, conforme relatos. Como solução temporária, a turma das estudantes envolvidas ficou sem aula de educação física, enquanto o professor continua lecionando para as demais turmas.

A Secretaria de Educação informou, em nota, que tomou conhecimento das denúncias e que o caso foi encaminhado à Corregedoria para apuração por meio de procedimento sigiloso.

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Relatos de pais e alunos

Alexandre dos Santos, pai de uma adolescente de 17 anos, relatou que a filha e as colegas se sentem desconfortáveis com a conduta do professor. "Ele sempre se refere às alunas como gatinha, gatona, minha gata, minha linda. Isso por si só já está errado. Não é assim que um professor deve se dirigir a um aluno", afirmou o servidor público.

O pai destacou ainda que a filha se incomoda com a postura do professor durante as aulas. "Ela começou a me relatar assédio sexual por meio dos olhares desse cidadão em cima das alunas enquanto elas praticavam exercícios físicos."

Em um áudio gravado por uma das alunas, as adolescentes pedem ao professor que pare com o assédio. "Para de usar esse termo 'gata'. Não, pelo amor de Deus. A gente tem nome."

A mãe de outra aluna, que preferiu não se identificar, também relatou o desconforto das adolescentes. "Durante as aulas, o professor sempre forma filas com as meninas à frente. Muitas alunas se sentiam constrangidas pela forma como ele olhava o corpo delas e chegavam a desistir de fazer os exercícios de tão constrangidas que ficavam."

No boletim de ocorrência, outra mãe relata que "o professor disse à sua filha que, se ela procurasse trabalho na rua, cuidando de carros, ela conseguiria clientes facilmente por ser bonita."

O que diz a Secretaria de Educação

A Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF) informou que tomou conhecimento formal da denúncia por meio da Ouvidoria. Após análise, o caso foi encaminhado à Corregedoria para apuração sigilosa, conforme a Instrução Normativa nº 2, de 19 de outubro de 2021, da Controladoria-Geral do Distrito Federal, e o art. 220 da Lei Complementar nº 840/2011.

"Em razão do caráter sigiloso do procedimento, não é possível detalhar seu andamento ou eventuais medidas específicas adotadas até o momento. Ressalta-se, contudo, que, no curso da apuração, poderão ser adotadas todas as providências administrativas cabíveis, inclusive medidas cautelares, conforme a legislação vigente", diz a nota.

A SEEDF reafirmou que não compactua com condutas incompatíveis com o ambiente educacional e que todas as denúncias são tratadas com rigor e responsabilidade.

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