Vitamina C não cura gripe: veja verdades e mitos sobre micronutrientes
Vitamina C não cura gripe: verdades e mitos sobre micronutrientes

Muita gente ainda acredita que a vitamina C é capaz de curar a gripe, mas especialistas alertam: isso é um mito. Embora o nutriente tenha papel importante no fortalecimento do sistema imunológico, não há evidências científicas de que ele possa prevenir ou tratar a doença. O que a ciência mostra é que a suplementação pode reduzir em até 8% a duração dos sintomas em adultos, segundo uma revisão de estudos publicada na Cochrane Database of Systematic Reviews.

O papel real da vitamina C no organismo

A vitamina C é um micronutriente essencial para o funcionamento do corpo humano. Ela atua na síntese de colágeno, na absorção de ferro e na proteção das células contra danos oxidativos. No sistema imunológico, ela ajuda na produção de glóbulos brancos, que combatem infecções. No entanto, isso não significa que tomar altas doses de vitamina C impeça a gripe. "A vitamina C não previne nem cura a gripe. O que ela faz é auxiliar o sistema imune a funcionar melhor, mas não é uma bala de prata", explica a nutricionista Maria Fernanda Barca, do Hospital Israelita Albert Einstein.

Mitos comuns sobre micronutrientes

Além da vitamina C, outros micronutrientes são alvo de crenças populares. Muitos acreditam que a vitamina D pode prevenir a Covid-19, mas estudos mostram que, embora a deficiência esteja associada a maior risco de infecções, a suplementação não reduz a incidência da doença. "A vitamina D é importante para a imunidade, mas não é um tratamento para a Covid-19", afirma o infectologista Carlos Henrique, da Sociedade Brasileira de Infectologia. Outro mito comum é que o zinco encurta a duração do resfriado. Uma meta-análise de 2020 indicou que a suplementação pode reduzir a duração em cerca de 2 dias, mas apenas quando iniciada nas primeiras 24 horas dos sintomas.

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Dicas para evitar pegadinhas nutricionais

Para não cair em armadilhas, especialistas recomendam priorizar uma alimentação equilibrada em vez de suplementos. Frutas cítricas, como laranja e acerola, são boas fontes de vitamina C, mas o consumo exagerado não traz benefícios extras. "O excesso de vitamina C é excretado na urina e pode causar diarreia e desconforto abdominal", alerta Barca. A recomendação diária para adultos é de 75 a 90 mg, quantidade facilmente obtida com uma dieta variada. Para a vitamina D, a principal fonte é a exposição solar moderada, e a suplementação só deve ser feita com orientação médica, após exames que comprovem deficiência.

Quando a suplementação é necessária

Em alguns casos, a suplementação de micronutrientes é indicada. Pessoas com deficiência comprovada, idosos, gestantes e indivíduos com doenças crônicas podem se beneficiar. No entanto, a automedicação é perigosa. "Suplementos não são inofensivos. O excesso de algumas vitaminas pode ser tóxico, como a vitamina A e o ferro", ressalta o infectologista. Por isso, antes de iniciar qualquer suplemento, consulte um profissional de saúde.

A conclusão dos especialistas é clara: não existem atalhos para uma boa saúde. Uma dieta equilibrada, rica em frutas, verduras e legumes, combinada com hábitos saudáveis como atividade física e sono adequado, é a melhor forma de fortalecer o sistema imunológico. E, claro, a vacinação anual contra a gripe continua sendo a principal medida de prevenção.

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