O Ministério da Saúde iniciou neste sábado (20) a aplicação da vacina pneumocócica 20-valente (Pneumo 20) em todo o país. O imunizante passa a integrar o Calendário Nacional de Vacinação, ampliando a proteção de crianças contra doenças graves causadas pela bactéria pneumococo, como pneumonia, meningite, infecções no sangue e otite.
Substituição da vacina 10-valente
A nova vacina substitui a pneumocócica 10-valente utilizada até então na rede pública. A principal mudança é a ampliação da cobertura contra diferentes variantes da bactéria Streptococcus pneumoniae: enquanto a formulação anterior protegia contra 10 sorotipos, a Pneumo 20 oferece proteção contra 20. Dados do Ministério da Saúde indicam que a nova formulação aumenta de 3% para 77% a cobertura contra os sorotipos mais relacionados a quadros graves em crianças menores de 5 anos.
Distribuição e público-alvo
Segundo o ministério, crianças menores de 5 anos que ainda não completaram o esquema vacinal poderão receber o novo imunizante nas unidades do Sistema Único de Saúde (SUS). Desde maio, mais de 570 mil doses foram distribuídas aos estados, e a previsão é que mais de 6,1 milhões de doses sejam entregues até o fim do ano. A vacina já estava disponível na rede privada desde 2024, onde pode custar mais de R$ 500 por dose.
A estratégia de vacinação contempla: crianças menores de 5 anos; crianças a partir de 2 anos com condições clínicas especiais; idosos institucionalizados com 60 anos ou mais; e povos indígenas a partir de 5 anos sem histórico vacinal.
Esquema vacinal
Para os bebês, o esquema vacinal segue o calendário infantil: 1ª dose aos 2 meses; 2ª dose aos 4 meses; e reforço aos 12 meses. Já para idosos e outros grupos elegíveis, a aplicação é feita em dose única, conforme os critérios definidos pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI).
Importância da vacinação
O pneumococo pode habitar as vias respiratórias sem causar sintomas, facilitando a transmissão, especialmente entre crianças pequenas. Em alguns casos, a bactéria consegue invadir outras partes do organismo e provocar doenças potencialmente fatais. Segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde com base em informações epidemiológicas recentes, o Brasil registrou cerca de 4,6 mil casos de meningite pneumocócica entre 2023 e 2025, com aproximadamente 1,4 mil mortes no período.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença pneumocócica continua sendo uma das principais causas de mortalidade infantil por enfermidades que podem ser prevenidas por vacinação. A expectativa do governo é imunizar cerca de 2,4 milhões de bebês por ano com a nova vacina, ampliando a proteção contra formas graves da doença desde os primeiros meses de vida.



