Nova vacina no SUS reduz em 16% casos graves de bronquiolite em bebês
Vacina no SUS reduz bronquiolite grave em bebês em 16%

A vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR), incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS) em dezembro de 2025, já demonstrou uma redução de 16% nos casos graves de bronquiolite em bebês de até seis meses de idade. O imunizante é aplicado em gestantes a partir da 28ª semana de gravidez, transferindo anticorpos para os recém-nascidos e conferindo proteção por aproximadamente seis meses, período considerado crítico para infecções respiratórias.

Resultados preliminares animadores

Dados divulgados pelo Ministério da Saúde indicam que, desde o início da campanha de vacinação, a incidência de casos graves de bronquiolite causados pelo VSR caiu 16% na faixa etária de 0 a 6 meses. Em contrapartida, outras faixas etárias não vacinadas apresentaram aumento de casos, o que reforça a eficácia da estratégia de imunização materna.

Segundo o infectologista Renato Kfouri, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), "a redução observada já é significativa e mostra o acerto da decisão de incorporar a vacina ao calendário do SUS. O impacto total será mais evidente nos próximos meses, conforme mais gestantes sejam imunizadas e os dados sejam consolidados."

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Alta cobertura vacinal

A adesão à vacina tem sido expressiva. Até o momento, mais de 1 milhão de doses foram aplicadas em todo o país, o que coloca o Brasil entre os líderes mundiais em cobertura vacinal contra o VSR. A meta do Ministério da Saúde é vacinar 90% das gestantes elegíveis até o final de 2026.

A vacina é segura e pode ser administrada junto com outros imunizantes recomendados para gestantes, como as vacinas contra a gripe e a coqueluche (dTpa). Os efeitos colaterais mais comuns são leves e incluem dor no local da injeção, febre baixa e mal-estar passageiro.

Bronquiolite: um problema de saúde pública

A bronquiolite é a principal causa de hospitalização de bebês menores de um ano no Brasil. O VSR é responsável por cerca de 80% dos casos. A doença causa inflamação dos bronquíolos, levando a dificuldade respiratória, chiado no peito e tosse. Em casos graves, pode exigir oxigênio suplementar e internação em UTI.

Com a vacinação materna, espera-se evitar milhares de internações e óbitos anualmente. Especialistas estimam que a redução de casos graves pode chegar a 30% quando a cobertura vacinal estiver plenamente estabelecida.

Próximos passos

O Ministério da Saúde planeja ampliar a vacinação para outros grupos de risco, como crianças com comorbidades e idosos, assim que houver disponibilidade de doses. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a imunização de gestantes como estratégia prioritária para reduzir a carga do VSR.

"Os dados brasileiros servirão de modelo para outros países que ainda não implementaram a vacina", afirma Kfouri. "A experiência do SUS mostra que é possível alcançar alta cobertura e impacto rápido em saúde pública."

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