O programa Fantástico acompanhou um transplante de rim que entrou para a história da medicina na América Latina. Pela primeira vez na região, o procedimento foi realizado integralmente com cirurgia robótica entre doador vivo e receptor. A operação utilizou braços robóticos controlados por médicos para retirar e implantar o órgão.
História de superação
André decidiu doar um de seus rins para a irmã, Adriana, que sofria de insuficiência renal avançada. Ela chegou a ter apenas 6% da função dos rins e dependia de hemodiálise três vezes por semana, o que a impedia de trabalhar. A compatibilidade entre os irmãos foi confirmada por exames, e André não hesitou em ajudar.
Tecnologia robótica de ponta
O sistema robótico permite que o cirurgião controle os instrumentos por meio de um console semelhante a um joystick. Segundo os médicos, a tecnologia oferece uma visão ampliada de 10 a 12 vezes da área operada e elimina os tremores naturais das mãos humanas, aumentando a precisão dos movimentos. "É como se eu fosse me vestir através desse joystick", explicou um dos cirurgiões ao demonstrar o funcionamento do equipamento.
Como foi a cirurgia
Durante o procedimento, os médicos não precisaram tocar diretamente nos pacientes. Os braços robóticos foram posicionados ao lado das mesas cirúrgicas e executaram os movimentos sob comando da equipe médica. A cirurgia é feita por meio de pequenas cânulas inseridas no abdômen. Por elas passam pinças com diferentes funções: algumas seguram tecidos e órgãos, outras realizam cortes, enquanto uma câmera transmite imagens ampliadas da região operada.
Após a retirada do rim de André, o órgão foi levado para a sala ao lado, onde Adriana aguardava para receber o transplante. Segundo a equipe médica, o intervalo entre a retirada e o implante foi de cerca de dez minutos.
Doação entre irmãos
A decisão de doar o rim partiu de André depois que os exames confirmaram a compatibilidade. Adriana enfrentava uma rotina desgastante de tratamento e tinha a qualidade de vida comprometida pela doença renal. Ao falar sobre a decisão do irmão, ela se emocionou durante a entrevista. Os médicos destacaram que pessoas saudáveis podem viver normalmente com apenas um rim e que o órgão remanescente é capaz de compensar a função do outro.
Recuperação rápida
Quatro horas após o início da cirurgia, as equipes comemoraram o sucesso do procedimento. Segundo os especialistas, a cirurgia robótica é menos invasiva do que as técnicas convencionais, o que contribui para uma recuperação mais rápida e menos dolorosa. "A dor é quase inexistente", afirmou um dos médicos ao explicar os benefícios da técnica.
André recebeu alta no dia seguinte à operação. Adriana permaneceu internada por dez dias e já está em casa se recuperando ao lado da família. O reencontro foi marcado por emoção, agradecimentos e até brincadeiras entre os irmãos. "Não teria dúvida, não pensaria duas vezes. Pra minha irmã, eu faria de novo", disse André.
Para a família, o procedimento representou mais do que um avanço tecnológico: significou a chance de recomeçar. "Celebrar a vida", resumiu a reportagem.



