Por que surtos de vírus raros estão se tornando mais frequentes?
Surtos de vírus raros: entenda por que estão aumentando

Em 2015, durante meu mestrado em Microbiologia, apresentei um seminário sobre o vírus zika, alertando que o Brasil poderia ser um território de fácil circulação para o patógeno. Uma semana depois, o primeiro caso foi confirmado no país. Algo semelhante ocorreu em 2019 com o Sars-CoV-2. Não causei esses surtos, mas conhecia aspectos da biologia viral que ajudam a entender o cenário atual.

O que a virologia nos ensina sobre surtos

Em virologia, não discutimos se um surto vai ocorrer, mas em que condições e quando ele vai ocorrer. Desde o início da última pandemia, tivemos o maior surto de dengue da história, a circulação nacional do vírus oropouche, surtos de mpox no planeta e, mais recentemente, um surto de hantavírus em águas internacionais e outro de Ebola que se tornou emergência de saúde pública. Isso sem contar as outras ameaças virais que já acometem milhões de pessoas todos os anos.

Por que vírus raros estão se tornando mais comuns?

Num período de tantas inovações em saúde, saber que vírus raros ou desconhecidos estejam por trás de epidemias cada vez mais preocupantes pode parecer contraditório. Para entender por que isso tem acontecido, é preciso pensar na natureza dos vírus e no comportamento humano. Acredita-se que existam mais vírus no planeta do que qualquer outro tipo de ser vivo. A maioria não representa risco para nós, mas um grande número infecta humanos e causa doenças.

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Como os vírus circulam e nos infectam

A existência de um vírus depende de organismos nos quais ele se multiplique e seja liberado no ambiente, gerando novas infecções. Alguns, como o Influenza, circulam diretamente entre humanos. Outros, como o dengue, necessitam apenas de humanos e mosquitos. Há ainda os que dependem de animais fora do nosso convívio: é o caso dos hantavírus, associados a roedores silvestres, e dos Ebola, presentes em morcegos da África Central. Para esses vírus, o ser humano é um hospedeiro acidental. Nossa infecção não é necessária para que o vírus exista na natureza, mas eventualmente acontece.

Globalização e diagnósticos mais rápidos

Por isso, o que sabemos sobre alguns vírus antes dos surtos é limitado, dado o baixo número de casos confirmados desde sua descoberta. A circulação de um vírus sempre dependeu da circulação humana, e hoje, quando é possível atravessar o planeta em 24 horas, é mais fácil importar casos de outras regiões. Temos ferramentas para identificar e diagnosticar essas viroses muito mais rápido do que no passado. Para muitas delas, porém, não há tratamentos eficientes ou vacinas aprovadas.

O que fazer diante de novos surtos

Grande parte dos esforços se concentra na contenção local e na redução das barreiras de acesso à saúde onde os surtos ocorrem. Além disso, a comunicação e a educação sobre vírus são fundamentais para reduzir a transmissão, e manter a calma é crucial antes de tomar qualquer decisão em saúde para você ou para a sua comunidade.

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