A busca pelo sono perfeito, impulsionada por dispositivos vestíveis e influenciadores digitais, está gerando uma nova condição chamada ortosônia. O termo, criado em 2017 por pesquisadores do Rush Medical College e da Feinberg School of Medicine da Northwestern University, descreve pessoas que buscam tratamento para problemas de sono autodiagnosticados por rastreadores e wearables.
Derek Antosiek, autodeclarado conhecedor do sono, já testou desde ventiladores que bombeiam ar fresco sob os lençóis até colchões separados para ele e sua esposa, além de lâmpadas de terapia de luz e monitores de qualidade do ar. Seu objetivo sempre foi chegar mais perto de uma noite perfeita de descanso.
Nas redes sociais, os chamados 'sleepmaxxers' exibem orgulhosamente os extremos a que vão: fitas para a boca, expansores nasais, faixas de queixo, sprays de travesseiro e o 'coquetel da garota sonolenta'. A tecnologia de ponta inclui ventiladores de quase US$ 600 e sistemas de colchão que ajustam temperatura e detectam ronco por cerca de US$ 4 mil.
Embora as atitudes em relação ao sono tenham mudado —com a geração Z reivindicando seu direito a uma noite completa—, especialistas alertam que a obsessão pode ser prejudicial. Matthew Walker, professor de neurociência da Universidade da Califórnia, Berkeley, observa que as recomendações básicas continuam as mesmas: pelo menos sete horas, horários regulares e mínimo de interrupções.
A indústria do sono, de bilhões de dólares, envolveu cientistas renomados como Walker, que se tornou consultor médico da empresa de rastreamento Oura após publicar o best-seller 'Por que dormimos'. No entanto, médicos e acadêmicos alertam que a busca perfeccionista pelo sono ideal pode levar à ortosônia, uma condição que merece atenção.



