SC registra maior mortandade de pinguins desde 2015
SC registra maior mortandade de pinguins desde 2015

Santa Catarina registrou a maior mortandade de pinguins-de-magalhães em 11 anos. De acordo com o Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), 1.910 aves da espécie foram encontradas mortas no estado em 2026. O número, divulgado na sexta-feira (19), é o maior acumulado para o primeiro semestre desde o início da contagem, em 2015.

Embora a morte de parte das aves durante o período migratório seja esperada, o volume tem preocupado pesquisadores. André Barreto, coordenador-geral do PMP-BS de Santa Catarina e do Paraná, destacou a magnitude do evento. “A gente costuma ter, para junho, por volta de 1,2 mil, 1,3 mil, que é o máximo que a gente já teve. A nossa média é em torno de 350. Então, realmente, é um número que está nos chamando atenção”, declarou.

Distribuição mensal das ocorrências

A maioria das aves mortas, cujo nome científico é Spheniscus magellanicus, foi encontrada em junho. Veja a tabela com os dados mensais de 2026:

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  • Janeiro: 1 morto, 2 vivos, total 3
  • Fevereiro: 1 morto, 0 vivos, total 1
  • Março: 0 mortos, 0 vivos, total 0
  • Abril: 1 morto, 0 vivos, total 1
  • Maio: 111 mortos, 24 vivos, total 135
  • Junho: 1.796 mortos, 134 vivos, total 1.930

As carcaças passam por necropsia para determinar as causas da morte.

Migração e mortalidade natural

O coordenador-geral do PMP-BS explicou que mortes de pinguins-de-magalhães em Santa Catarina são esperadas devido à migração da espécie. Os pinguins vivem em colônias na Patagônia argentina e, a partir de meados de abril, dirigem-se ao litoral brasileiro. As aves são encontradas mortas nas praias em maior quantidade em junho, julho e, no pico do deslocamento, em agosto.

Pinguins jovens, exaustos da jornada, formam o maior grupo entre as aves mortas no estado. Cerca de 90% dos óbitos são de juvenis, conforme Barreto. “A maior parte da mortalidade é causada pelo próprio esgotamento do animal do processo migratório. Tem o que os veterinários chamam de síndrome do pinguim encalhado, que são animais que já chegam muito fracos, com pouca quantidade de gordura, muito debilitados”, explicou.

Os dados são baseados no trabalho diário do projeto. “A gente todo dia está com as equipes em campo, indo para praia, e isso garante para gente uma estabilidade da nossa informação”, afirmou o coordenador.

Possíveis causas para o aumento

Por enquanto, os pesquisadores não têm certeza sobre os fatores que influenciaram o número maior deste ano. “A gente não tem informação sobre a quantidade de pinguins que nasce a cada ano lá na Argentina. Não faz parte do nosso monitoramento, mas a gente imagina que a ocorrência, a maior quantidade de pinguins aqui no Brasil está ligada tanto a questões oceanográficas, que é essa questão do transporte dos animais sendo jogados para a costa, quanto questões biológicas, que é a questão da abundância deles lá nas colônias. Então, é uma combinação dos dois que deve trazer mais animais aqui para nossa costa”, disse o coordenador.

Para descobrir as causas, existe um trabalho de estudo das carcaças encontradas na praia. “Todo animal que chegar, a gente examina. Se ele estiver em boa condição, a gente faz uma necropsia, tenta identificar a causa de morte, e tudo isso é relatado”, explicou Barreto.

A migração dos pinguins-de-magalhães vai até meados de setembro. Com todos os números, os pesquisadores terão uma ideia melhor do que ocorreu. “Quando passar a temporada, nós vamos juntar isso com dados ambientais que aconteceram nessa época. E aí a gente vai tentar entender o que foi esse padrão, esse processo de encalhes. Será que eles encalharam mais em momentos de frente fria? Será que eles encalharam mais quando a gente tinha alguma atividade humana acontecendo? Então, isso a gente só consegue fazer depois do evento”, concluiu.

Orientações para encontrar um pinguim na praia

O PMP-BS divulgou recomendações sobre como agir ao encontrar um pinguim na praia:

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  • Ligue para a equipe do PMP-BS pelo telefone 0800 642 3341
  • Não devolva o animal ao mar (provavelmente ele está afogado)
  • Não o coloque em contato com gelo
  • Não tente alimentá-lo
  • Afaste animais domésticos
  • Não faça carinho
  • Se necessário, mantenha-o em lugar seguro e aquecido até o resgate chegar
  • Em caso de contato, higienize-se em seguida e não toque mais no animal

A realização do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos é uma exigência do licenciamento ambiental federal, conduzido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), para as atividades da Petrobras de produção e escoamento de petróleo e gás natural na Bacia de Santos.