Santarém registra 248 ataques de animais peçonhentos em 2026
Santarém tem 248 ataques de animais peçonhentos em 2026

Os ataques de animais peçonhentos continuam sendo uma preocupação para as autoridades de saúde em Santarém, no oeste do Pará. Apenas nos primeiros cinco meses de 2026, o Hospital Municipal Dr. Alberto Tolentino Sotelo (HMS) registrou 248 atendimentos relacionados a acidentes com esses animais. Os escorpiões lideram as ocorrências, com 103 casos, seguidos pelas cobras, responsáveis por 83 registros. Juntos, esses dois tipos de acidentes representam mais de 75% dos atendimentos realizados na unidade neste ano.

Distribuição dos casos

O levantamento divulgado pelo HMS também aponta 24 casos envolvendo arraias, 17 por picadas de aranhas, oito ataques de abelhas, dois acidentes com lagartas e 11 ocorrências em que o animal não foi identificado. Entre os pacientes atendidos recentemente está Jailson Silva, de 25 anos, morador da comunidade Jacarezinho do Ituqui, região de várzea de Santarém. Ele foi picado na mão direita por uma cobra surucucu enquanto realizava um serviço de roçagem. "Eu estava roçando de máquina e não vi ela. Quando espantei, ela pulou na minha mão e ficou grudada", relatou.

Outro caso foi o de João Silva dos Santos, de 50 anos, que sofreu uma picada de cobra na perna enquanto retornava de motocicleta para a cidade após um dia de trabalho na comunidade Ramal do Gato, também na região do Ituqui. "Eu estava trabalhando lá. Na quinta-feira à noite, quando parei a moto e desci, a cobra me picou", contou.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Atendimento e tratamento

Os dois pacientes receberam atendimento especializado, foram submetidos à soroterapia e já tiveram alta médica. Segundo o médico infectologista Alisson Brandão, o período atual é historicamente marcado pelo aumento dos acidentes envolvendo animais peçonhentos, principalmente em áreas rurais e de várzea. "Nessa época do ano temos maior recorrência de acidentes com animais peçonhentos. A principal orientação é procurar atendimento médico imediatamente, porque muitas dessas situações exigem a aplicação de soros específicos para neutralizar o veneno", explicou.

O especialista reforça que os soros antiofídicos, utilizados em casos de picadas de cobras, além dos soros para acidentes com escorpiões e aranhas, estão disponíveis no Hospital Municipal de Santarém e só devem ser administrados sob indicação médica. Enquanto a vítima aguarda atendimento, algumas medidas simples podem ajudar. "É importante manter a pessoa deitada, elevar o membro atingido e lavar o local apenas com água e sabão. Não se deve fazer torniquetes, cortes ou aplicar qualquer substância sobre a ferida, pois isso pode agravar o quadro e provocar infecções", orientou.

Cuidados e prevenção

Nos casos de sangramento intenso após picadas de serpentes, o médico destaca que a melhora só ocorre após a administração do soro adequado. "O sangramento está relacionado à ação do veneno. Somente o soro antiofídico consegue neutralizar esse efeito", alertou. Para evitar novos acidentes, o infectologista recomenda atenção redobrada, principalmente em áreas rurais e periurbanas. O uso de botas e calçados fechados durante atividades no campo é uma das principais medidas preventivas. "Também é fundamental evitar o acúmulo de entulhos próximos às residências e sempre verificar sapatos e botas antes de calçá-los. Escorpiões e aranhas costumam procurar locais escuros, úmidos e protegidos para se esconder", concluiu.

Os números reforçam a necessidade de prevenção e de busca rápida por atendimento médico, especialmente em uma região onde o contato com animais peçonhentos faz parte da realidade de muitas comunidades rurais e ribeirinhas.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar