O retorno de Serena Williams ao tênis após o uso de medicamentos GLP-1, criados para tratar obesidade e diabetes tipo 2, reacendeu o debate sobre o uso dessas substâncias no esporte. A Agência Mundial Antidoping (WADA) monitora os GLP-1 desde 2024, mas eles não são classificados como drogas para melhorar o desempenho esportivo.
O que são os medicamentos GLP-1?
Os GLP-1, como semaglutida e liraglutida, são agonistas do receptor do peptídeo semelhante ao glucagon-1, originalmente aprovados para controle glicêmico em diabetes tipo 2 e perda de peso em obesidade. Nos últimos anos, ganharam popularidade como "canetas emagrecedoras", inclusive entre celebridades e atletas.
Serena Williams, uma das maiores tenistas da história, revelou ter utilizado esses medicamentos para controle de peso antes de anunciar seu retorno às quadras. Aos 44 anos, ela busca competir novamente em torneios de alto nível.
Posição da WADA e das federações
A WADA incluiu os GLP-1 em seu programa de monitoramento a partir de 2024, o que significa que coleta dados sobre seu uso, mas não os proíbe. A agência avalia se essas substâncias podem conferir vantagem competitiva ou violar o "espírito do esporte".
"Estamos monitorando de perto o uso de GLP-1 entre atletas. Até o momento, não há evidências de que melhorem o desempenho físico, mas precisamos entender melhor seus efeitos a longo prazo", afirmou um porta-voz da WADA.
Federações esportivas, como a Federação Internacional de Tênis (ITF), seguem as diretrizes da WADA e não proíbem o uso de GLP-1. No entanto, especialistas em ética esportiva questionam se a perda de peso rápida induzida por esses medicamentos poderia ser considerada uma forma de aprimoramento.
Debate sobre o espírito do esporte
O caso de Serena Williams reacende a discussão sobre o que constitui doping. Diferentemente de esteroides anabolizantes ou EPO, os GLP-1 não aumentam diretamente a força, resistência ou velocidade. Mas podem alterar a composição corporal, o que, em esportes como tênis, pode impactar a agilidade e a recuperação.
"Se um atleta usa um medicamento para perder peso rapidamente e isso melhora seu desempenho, isso não viola o espírito do esporte?", questionou o médico esportivo Dr. Carlos Silva, especialista em medicina do exercício.
Por outro lado, defensores do uso argumentam que, se o medicamento é aprovado para tratamento de condições médicas legítimas, como obesidade ou diabetes, não deveria ser banido. "A discriminação contra atletas que precisam desses medicamentos seria injusta", ponderou a advogada esportiva Maria Oliveira.
Impacto no retorno de Serena
O retorno de Serena Williams acontece após um hiato de dois anos. Ela já havia mencionado dificuldades para manter o peso ideal durante a gravidez e pós-parto. Com o uso de GLP-1, ela conseguiu perder peso de forma controlada, sem comprometer a saúde.
"Estou me sentindo mais leve e com mais energia. O medicamento me ajudou a atingir um peso saudável, e agora posso me concentrar no tênis", declarou Williams em entrevista recente.
A tenista norte-americana planeja disputar torneios do circuito da WTA ainda este ano, com foco no US Open. Seu retorno já gerou aumento no interesse por ingressos e na audiência televisiva.
Futuro da regulação
A WADA deve concluir sua análise sobre os GLP-1 até 2026, podendo decidir por sua proibição ou liberação total. Enquanto isso, mais atletas podem recorrer a esses medicamentos, ampliando o debate ético e regulatório no esporte.



