Uma pesquisa publicada na revista científica Lancet revela que a retatrutida, uma nova substância para tratamento da obesidade, pode reduzir até 28% do peso corporal em pacientes com diabetes tipo 2. O resultado se aproxima da perda de peso observada em cirurgias bariátricas, o que pode transformar o cenário do tratamento da obesidade.
Resultados da pesquisa
O estudo, divulgado no sábado (6), reforça dados já apresentados pela farmacêutica Eli Lilly, responsável pelo desenvolvimento da substância. Além da perda de peso, a pesquisa mostrou eficácia da retatrutida no tratamento de duas outras condições: apneia do sono e osteoartrite no joelho.
A retatrutida pertence à mesma classe das chamadas "canetas emagrecedoras", como Ozempic e Mounjaro, mas se diferencia por atuar em três hormônios simultaneamente, em vez de um ou dois. Por isso, é classificada como uma molécula de "tripla ação". Um dos diferenciais é o glucagon, que pode aumentar o gasto calórico mesmo em repouso.
Apresentação no congresso da ADA
O estudo foi apresentado no congresso da Associação Americana de Diabetes (ADA), realizado nos Estados Unidos. Durante a apresentação, um alerta foi feito: mesmo sem aprovação sanitária, já existem supostas versões da retatrutida no mercado. No Paraguai, em março deste ano, uma empresa paraguaia anunciou a produção de canetas à base da substância em evento com influenciadores brasileiros. A Receita Federal informa que tem realizado apreensões de pessoas entrando no Brasil com o produto.
Mecanismo de ação
Assim como outros medicamentos da classe GLP-1, a retatrutida imita hormônios liberados pelo intestino após as refeições, sinalizando saciedade ao cérebro e auxiliando o pâncreas no controle da insulina. O diferencial é o terceiro mecanismo: ao ativar o receptor de glucagon, o medicamento estimula o organismo a gastar mais energia, mesmo em repouso.
Detalhes do estudo
No estudo, 930 adultos com diabetes tipo 2 receberam doses semanais do medicamento ou placebo por até 80 semanas. Os participantes que tomaram a dose mais alta perderam, em média, 28,3% do peso, mais de quatro vezes o resultado do grupo placebo. Esse resultado indica que o medicamento pode causar perda de peso tão expressiva quanto a cirurgia bariátrica, abrindo nova fronteira no tratamento da obesidade. Mais de 65% dos pacientes deixaram de se enquadrar nos critérios de obesidade pelo IMC. A redução do nível de açúcar no sangue foi mais que o dobro da observada no grupo controle.
Benefícios adicionais
O estudo também trouxe dados sobre apneia do sono e osteoartrite no joelho. Em pacientes com obesidade, a retatrutida reduziu em 60,6% a gravidade da apneia do sono, distúrbio que aumenta o risco cardíaco. Atualmente, o Mounjaro, também da Lilly, é aprovado no Brasil para esse uso. O medicamento também reduziu em até 73,1% a dor causada pela osteoartrite no joelho, doença que desgasta as articulações e afeta milhões de brasileiros.
Disponibilidade no mercado
Ainda são necessárias análises adicionais de segurança e revisão formal pelas agências regulatórias antes de qualquer liberação. Durante a apresentação do estudo, representantes da Lilly alertaram para o risco de a substância já estar circulando ilegalmente. Hoje, qualquer medicamento anunciado à base de retatrutida é ilegal e representa risco à saúde. No Paraguai, principal origem do mercado paralelo de GLP-1 para o Brasil, a substância já está em circulação. Agentes da Receita Federal e da Anvisa realizam apreensões diárias na fronteira de Foz do Iguaçu. Nos três primeiros meses de 2026, o valor apreendido na fronteira já supera todo o ano de 2025, ultrapassando R$ 11 milhões em três meses. Qualquer produto vendido hoje com o nome retatrutida é ilegal e não tem segurança comprovada.



