Reganho de peso após bariátrica: desafio para pacientes
Reganho de peso após bariátrica: desafio para pacientes

Um novo estudo publicado na revista Obesity Surgery revela que cerca de 20% dos pacientes submetidos à cirurgia bariátrica apresentam reganho significativo de peso após cinco anos. A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), acompanhou 500 pacientes por uma década e identificou que fatores comportamentais e metabólicos são os principais responsáveis pelo fenômeno.

Causas do reganho de peso

Segundo a Dra. Ana Paula de Oliveira, cirurgiã bariátrica e coordenadora do estudo, o reganho de peso está associado a hábitos alimentares inadequados, sedentarismo e alterações hormonais. “Muitos pacientes retornam a padrões alimentares antigos, com consumo excessivo de alimentos ultraprocessados e ricos em açúcar”, explica. Além disso, o organismo se adapta à perda de peso, reduzindo o gasto energético basal.

O estudo aponta que 35% dos pacientes que não mantêm acompanhamento nutricional regular têm maior risco de reganho. A falta de atividade física também é um fator crítico: apenas 40% dos participantes praticavam exercícios ao menos três vezes por semana.

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Impactos na saúde e qualidade de vida

O reganho de peso pode levar ao retorno de comorbidades como diabetes tipo 2, hipertensão e apneia do sono. “O paciente pode se sentir frustrado e desmotivado, o que afeta a saúde mental”, afirma a psicóloga clínica Dr. Marcos Ribeiro, que integra a equipe multidisciplinar do estudo.

Dados do Ministério da Saúde indicam que o Brasil realizou cerca de 100 mil cirurgias bariátricas em 2025, número que cresce 10% ao ano. Com o aumento da procura, especialistas alertam para a necessidade de suporte pós-operatório contínuo.

Estratégias para evitar o reganho

Os pesquisadores recomendam intervenções personalizadas, como terapia comportamental, planos alimentares individualizados e programas de exercícios supervisionados. “O acompanhamento multidisciplinar por pelo menos dois anos é essencial”, destaca a Dra. Ana Paula.

Novas tecnologias, como aplicativos de monitoramento alimentar e dispositivos vestíveis, têm se mostrado eficazes para manter a adesão. Um piloto com 50 pacientes usando um app registrou redução de 15% no reganho de peso em 12 meses.

O estudo conclui que a cirurgia bariátrica não é uma solução definitiva, mas uma ferramenta que exige compromisso de longo prazo. “É uma jornada que requer disciplina e suporte”, finaliza a pesquisadora.

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