O Quênia enfrenta um grave dilema de saúde pública: com uma das taxas de aborto mais altas do mundo, o procedimento é ilegal e cercado por tabus impostos por grupos conservadores. Um estudo divulgado em 2023 revelou que foram realizados 793 mil abortos no país naquele ano, resultando em 2.600 mortes devido à insegurança dos procedimentos clandestinos.
Proibição e riscos à vida das mulheres
No Quênia, o aborto é permitido apenas em casos de risco de vida para a gestante, estupro ou incesto, mas na prática o acesso é extremamente restrito. A ilegalidade empurra milhares de mulheres para clínicas clandestinas ou métodos caseiros perigosos, aumentando os riscos de complicações graves e morte. Segundo a organização Reproductive Health Network Kenya (RHNK), a falta de informação e o estigma social agravam o problema.
Pressão conservadora e omissão governamental
O governo queniano, pressionado por influências externas e internas de grupos conservadores, evita abordar o tema abertamente. Isso dificulta a implementação de políticas de educação sexual e acesso a contraceptivos, contribuindo para o alto número de gestações indesejadas. A RHNK tenta oferecer suporte jurídico e médico às mulheres, mas enfrenta resistência política e social.
Impacto da clandestinidade
O estudo de 2023 destacou que a maioria dos abortos é realizada em condições precárias, por pessoas sem treinamento adequado. As complicações mais comuns incluem hemorragias, infecções e perfurações uterinas. A taxa de mortalidade por aborto inseguro no Quênia é uma das mais altas da África Subsaariana.
"Precisamos de um debate aberto e baseado em evidências para salvar vidas", afirmou um porta-voz da RHNK, que prefere não ser identificado por questões de segurança. A organização defende a ampliação das causas legais para aborto e maior investimento em saúde reprodutiva.



