Um estudo realizado em Belo Horizonte identificou uma taxa de 61,6 casos de anafilaxia por milhão de doses aplicadas da vacina Qdenga contra a dengue, um efeito considerado raro, mas superior ao observado pelo Ministério da Saúde. A pesquisa, que analisou dados da campanha de vacinação na capital mineira, sugere que a administração do imunizante seja feita apenas em unidades de saúde, onde há estrutura para atendimento de emergências.
O que diz o estudo
O levantamento, conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte, analisou as reações adversas reportadas após a aplicação da Qdenga. Foram registrados 61,6 casos de anafilaxia – reação alérgica grave e potencialmente fatal – para cada milhão de doses. Esse número é maior do que a taxa de 0,4 casos por milhão de doses reportada pelo Ministério da Saúde em todo o país.
Recomendações das autoridades
Diante dos achados, a Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte emitiu uma nota técnica recomendando que a Qdenga seja administrada exclusivamente em unidades de saúde com capacidade para tratar reações anafiláticas. O Ministério da Saúde, por sua vez, ajustou as recomendações nacionais, incluindo triagem mais rigorosa para histórico de alergias e observação de 30 minutos após a vacinação.
"A anafilaxia é um evento raro, mas a taxa observada em BH justifica medidas de precaução. A vacina continua segura e eficaz, mas é importante que a aplicação ocorra em locais preparados", afirmou a coordenadora do estudo, Dra. Ana Paula Ribeiro.
Posição da farmacêutica
A Takeda, fabricante da Qdenga, declarou que o perfil de segurança da vacina permanece favorável e que os dados não alteram a relação risco-benefício. "A Qdenga foi aprovada por agências regulatórias rigorosas e seu uso é recomendado para prevenção da dengue. As reações alérgicas graves são extremamente raras e estão descritas na bula", disse a empresa em comunicado.
Contexto da campanha
O Brasil enfrenta um aumento expressivo de casos de dengue em 2026, com mais de 3 milhões de notificações até julho. A vacinação com a Qdenga foi ampliada para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos em todo o país, mas a adesão ainda é baixa. Especialistas alertam que os benefícios da imunização superam os riscos, desde que aplicada com as devidas precauções.



