Um novo estudo científico revelou que um conjunto de proteínas presentes no sangue pode prever o desenvolvimento do câncer de pulmão até cinco anos antes do diagnóstico oficial. A descoberta, publicada na renomada revista Cell, foi liderada pelo pesquisador Charles Swanton e sua equipe, que analisaram amostras sanguíneas de milhares de participantes ao longo de vários anos.
Como funciona a previsão
Os cientistas identificaram 14 proteínas específicas que, quando presentes em níveis elevados, indicam um risco significativamente maior de desenvolver câncer de pulmão. Essas proteínas estão associadas a processos inflamatórios e à resposta imunológica do corpo, sugerindo que o câncer pode começar a se desenvolver silenciosamente muito antes de ser detectado por exames convencionais.
O estudo acompanhou voluntários por um período de até cinco anos, coletando amostras de sangue periodicamente. Aqueles que posteriormente desenvolveram câncer de pulmão apresentaram alterações nos níveis dessas proteínas já nos primeiros exames, muito antes de qualquer sintoma aparecer.
Potencial para prevenção
Uma das descobertas mais promissoras é que um medicamento anti-inflamatório já existente no mercado pode reduzir o risco de câncer de pulmão em pessoas com altos níveis dessas proteínas. O fármaco, que atua inibindo a inflamação crônica, mostrou eficácia em testes iniciais, mas ainda são necessários ensaios clínicos em larga escala para confirmar sua segurança e eficácia na prevenção do câncer.
Segundo os pesquisadores, a identificação precoce de indivíduos de alto risco permitiria intervenções preventivas, como o uso desse medicamento ou mudanças no estilo de vida, antes que a doença se estabeleça. Isso poderia salvar milhares de vidas, já que o câncer de pulmão é uma das principais causas de morte no mundo.
Próximos passos
A equipe de Swanton planeja iniciar ensaios clínicos randomizados nos próximos meses, envolvendo milhares de participantes com níveis elevados das proteínas identificadas. Metade receberá o medicamento anti-inflamatório e a outra metade um placebo, e ambos os grupos serão acompanhados por cinco anos para avaliar a incidência de câncer de pulmão.
Se os resultados forem positivos, o teste sanguíneo poderá se tornar parte dos exames de rotina, especialmente para fumantes e ex-fumantes, que têm maior risco de desenvolver a doença. A expectativa é que a prevenção personalizada se torne uma realidade em menos de uma década.



