A professora Valéria de Castro Alves, que lecionava há mais de 20 anos em Araguaína, norte do Tocantins, faleceu aos 41 anos durante o tratamento contra um câncer de pulmão. A morte foi confirmada neste domingo (12), gerando comoção nas redes sociais. Meses antes, ela havia compartilhado em uma rede social o desejo de acompanhar o crescimento dos filhos.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico foi feito em maio de 2025, quando a doença já estava no estágio quatro. O exame também identificou uma mutação rara. Segundo o marido Emerson Castro, durante os primeiros meses de quimioterapia e da arrecadação para a compra de medicamentos, o corpo rejeitou o tratamento, e a doença progrediu.
"Ela chegou a trocar o remédio e teve uma boa resposta. O nódulo de 11 cm diminuiu para 4 cm. Mas nós não esperávamos o pior: quando a doença descobriu a estratégia do remédio e começou a avançar novamente. Veio a metástase no cérebro, atingindo o sistema nervoso e tirando, aos poucos, os movimentos da mão esquerda dela", explicou o marido.
Relato emocionante
Em uma publicação anterior, Valéria escreveu: "Meu sonho é criar meus filhos, quero pegar o Samuel [filho] no colo a hora que eu quiser: eu não consigo mais fazer essas coisas. Quero ver eles crescerem, com a primeira namorada, formarem, se casarem".
A professora se dedicou à educação infantil em Araguaína. Antes de se afastar do trabalho, por causa das dores e limitações causadas pela doença, ela deu aulas no Educandário Objetivo e cuidou de crianças na Quarta Igreja Batista. Ela deixou o esposo e os filhos Arthur, de 9 anos, e Samuel, de 2. Por causa da doença, Valéria precisou interromper a amamentação do filho mais novo.
Luta até o fim
"Nossa rotina toda mudou. Eu me doei por completo, não medi esforços, eu acompanhei e a amei até o fim. Estudei a doença, sabia o nome de todos os remédios", contou Emerson. "Ela era esse equilíbrio, amava a família e os filhos. A mãe dela morava conosco há oito anos após ela [Valéria] perder o pai pro câncer. O meu sentimento é de amor, eu queria amar ela como ela me amou. O sonho dela era ver os filhos crescerem. Não me arrependo de nenhum dia de ter estado com ela até o fim", finalizou.
A professora era natural do Maranhão, mas construiu sua família na região norte do Tocantins. O sepultamento foi realizado na manhã desta segunda-feira (13), no Cemitério Jardim das Paineiras, em Araguaína.



