Uma nova tendência viral no TikTok, apelidada de 'pinky time', está conquistando milhões de visualizações ao sugerir que exercícios simples com os dedos podem prevenir o Alzheimer. Mas será que essa afirmação tem respaldo científico? Especialistas ouvidos pelo g1 alertam que, embora a ideia se baseie em conceitos de neurociência, a alegação é exagerada e carece de evidências robustas.
O que é o 'pinky time'?
A trend consiste em realizar movimentos repetitivos com os dedos, como tocar o polegar em cada um dos outros dedos rapidamente, ou fazer círculos com os dedos indicador e polegar. Os vídeos acumulam milhões de visualizações e prometem estimular o cérebro, prevenindo o declínio cognitivo. No entanto, segundo a neurocientista Dra. Carla Souza, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, 'não há estudos clínicos que comprovem que esses exercícios específicos tenham efeito preventivo contra o Alzheimer'.
O que a ciência diz?
O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa complexa, e sua prevenção envolve múltiplos fatores. 'Atividades que desafiam o cérebro, como aprender um instrumento musical ou um novo idioma, são mais eficazes para a manutenção cognitiva', explica o neurologista Dr. Paulo Almeida, do Hospital das Clínicas de São Paulo. 'Mexer os dedos isoladamente não tem o mesmo impacto.'
Estudos mostram que a estimulação cognitiva variada, combinada com exercício físico regular, sono adequado, alimentação balanceada e interação social, é a abordagem mais eficaz para reduzir o risco de demência. Uma pesquisa publicada no Journal of Alzheimer's Disease em 2024 indicou que pessoas que praticavam atividades intelectuais variadas apresentaram 30% menos risco de declínio cognitivo.
O perigo das falsas promessas
A popularidade do 'pinky time' preocupa especialistas, pois pode levar as pessoas a negligenciar medidas comprovadas de prevenção. 'É importante que a população entenda que não existem atalhos para a saúde do cérebro', alerta a Dra. Carla. 'Acreditamos que a trend pode dar uma falsa sensação de segurança.'
A Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz) reforça que a melhor estratégia é adotar um estilo de vida saudável e manter o cérebro ativo com desafios variados. 'Recomendamos leitura, jogos de tabuleiro, aprendizado contínuo e atividades sociais', diz a presidente da ABRAz, Maria Lucia.
Conclusão
Embora os exercícios com os dedos possam ser divertidos e até mesmo melhorar a coordenação motora fina, não há evidências de que previnam o Alzheimer. A tendência 'pinky time' é mais um exemplo de como informações simplificadas podem viralizar sem respaldo científico. Para proteger o cérebro, o caminho é investir em hábitos saudáveis e estimulação cognitiva diversificada.



