Piauí registra apenas 14 doações de órgãos em quatro meses; especialista pede mais 'sim'
Piauí tem 14 doações de órgãos em 4 meses; falta diálogo

No Piauí, a doação de órgãos ainda enfrenta grandes desafios. Entre janeiro e abril de 2026, foram registradas apenas 14 doações múltiplas de órgãos no estado, número considerado baixo quando comparado ao total de 54 doações realizadas em todo o ano de 2025. A falta de informação, a ausência de diálogo prévio entre o doador e a família e a recusa dos familiares são os principais fatores que contribuem para esse cenário.

Taxa de rejeição acima da média nacional

Segundo Milena Cantuária, coordenadora da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos do Hospital de Urgência de Teresina (HUT), o Brasil já apresenta uma taxa de rejeição de cerca de 50% para doação de múltiplos órgãos. No Piauí, esse índice é ainda maior, o que reforça a necessidade de conscientização. “Precisamos de mais ‘sim’”, afirma a coordenadora.

Distribuição das doações no estado

Dados da Central de Transplantes do Estado do Piauí mostram que, de janeiro a abril de 2026, as doações ocorreram em apenas quatro municípios:

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  • Piripiri: 1 doação múltipla de órgãos
  • Campo Maior: 1 doação múltipla de órgãos
  • Parnaíba: 1 doação múltipla de órgãos
  • Teresina: 13 doações múltiplas de órgãos

Em 2025, o cenário foi semelhante, com Parnaíba registrando 3 doações e Teresina, 51 doações.

Captação de órgãos e parcerias interestaduais

Atualmente, o Piauí realiza captações de três tipos de órgãos: córneas, rins e fígado. Para casos que exigem especialidades não disponíveis no estado, a equipe local faz contato com outros estados para viabilizar a vinda de profissionais especializados. Um exemplo recente foi o caso de Marina Ferreira Rocha, de 7 anos, que morreu após um acidente de quadriciclo. A família optou pela doação, e o coração da menina foi captado por uma equipe do Ceará e transplantado em uma bebê de 1 ano e 8 meses, que sofria de cardiopatia dilatada – condição em que o músculo cardíaco enfraquece e não consegue bombear sangue adequadamente.

Como se tornar um doador?

Para ser um potencial doador de órgãos, não basta apenas a vontade individual: é essencial que a família concorde com a doação no momento do falecimento. Mesmo que a pessoa tenha deixado uma declaração por escrito ou se autodeclarado doadora, a decisão final cabe aos responsáveis legais. Por isso, o diálogo claro e aberto entre familiares é fundamental para garantir que o desejo do doador seja respeitado.

A coordenadora Milena Cantuária reforça: “A doação de órgãos é um ato de solidariedade que pode salvar vidas. Precisamos conversar mais sobre o tema e aumentar o número de ‘sim’ no estado.”

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