A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou o lançamento de um ensaio clínico na República Democrática do Congo (RDC) para testar dois tratamentos contra o Ebola, em meio a um surto que já apresenta taxa de letalidade de 25%. O país africano é atualmente o epicentro da epidemia, que tem como foco a cepa Bundibugyo do vírus, para a qual não existem vacinas ou tratamentos específicos aprovados.
Detalhes do ensaio clínico
O estudo envolverá entre 500 e 1.000 participantes, que receberão um dos dois tratamentos: o anticorpo monoclonal MBP134 ou o antiviral remdesivir. O MBP134 é um anticorpo experimental que mostrou eficácia em modelos animais contra diversas cepas de Ebola, enquanto o remdesivir já é utilizado no tratamento de outras infecções virais, como a COVID-19. O ensaio clínico será conduzido em centros de tratamento na RDC, com supervisão da OMS e autoridades de saúde locais.
Contexto do surto e riscos
A OMS classificou o risco na RDC como "muito alto" e o risco em Uganda, país vizinho, como "alto". A cepa Bundibugyo é responsável pelo surto atual e tem se mostrado menos transmissível que a cepa Zaire, mas ainda assim apresenta letalidade significativa. Desde o início do surto, medidas de contenção foram implementadas, incluindo rastreamento de contatos e isolamento de casos suspeitos. Profissionais de saúde são pulverizados com desinfetante após contato com corpos suspeitos, como visto em Bunia, no leste da RDC.
Impacto esperado
O ensaio clínico busca preencher a lacuna de opções terapêuticas para a cepa Bundibugyo. Se os tratamentos se mostrarem eficazes, poderão reduzir a letalidade e conter a propagação do vírus. A OMS enfatiza a importância de acelerar a pesquisa, dada a urgência do surto. "Precisamos de evidências científicas robustas para orientar a resposta", afirmou um porta-voz da OMS. O estudo deve durar vários meses, com resultados preliminares esperados ainda em 2026.



