Novo anticorpo pode revolucionar tratamento do câncer de pâncreas
Novo anticorpo pode revolucionar tratamento do câncer de pâncreas

O câncer de pâncreas é um dos tipos mais letais da doença, com uma taxa de sobrevida em cinco anos de apenas 13%, segundo a Sociedade Americana do Câncer. No entanto, novas esperanças surgem com terapias inovadoras, como o anticorpo NP137, desenvolvido por pesquisadores franceses. Esse anticorpo atua como tratamento coadjuvante, bloqueando um dos mecanismos de resistência das células cancerígenas, conforme explicou o pesquisador Patrick Mehlen, líder da equipe do CNRS, Centro Léon Bérard e Universidade Claude Bernard Lyon 1. Os resultados foram publicados em abril na revista Nature.

Sinergia com novo medicamento

A terapia, ainda em fase de testes clínicos, poderá ser associada ao daraxonrasib, um novo medicamento apresentado no congresso da Associação Americana de Oncologia Clínica (ASCO) em maio. O daraxonrasib atua nas mutações do gene KRAS, presentes em cerca de 90% dos pacientes com câncer de pâncreas. A expectativa é que o medicamento esteja disponível a partir de 2027. Mehlen destaca que as duas moléculas não competem, mas atuam em sinergia, abrindo perspectivas para ampliar a sobrevida dos pacientes.

Mecanismo celular e ausência de toxicidade

A pesquisa focou no processo de transição epitélio-mesenquimal (EMT), que permite que as células se desloquem. Esse processo, essencial durante o desenvolvimento embrionário, é explorado por células tumorais para se tornarem mais móveis, invadirem outros tecidos e formarem metástases. Os cientistas descobriram que a proteína netrina-1 influencia esse mecanismo e desenvolveram um anticorpo terapêutico para inibir sua ação.

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Após a fase pré-clínica, o tratamento foi testado em 43 pacientes com câncer de pâncreas localmente avançado. O estudo não revelou sinais de toxicidade, e em alguns pacientes os tumores diminuíram. As biópsias mostraram que o anticorpo bloqueava processos celulares ligados ao câncer e melhorava a resposta à quimioterapia.

Melhora na resposta e aumento da sobrevida

Os pacientes que apresentavam o receptor da netrina-1 tiveram maior sobrevida e menos recaídas após a quimioterapia. Dados recentes apresentados na ASCO mostram que o anticorpo permite que a quimioterapia funcione por mais tempo e com maior eficácia. Além disso, o número de pacientes elegíveis para cirurgia após o tratamento aumentou: de cerca de 6% para 23% no geral, podendo chegar a 40% entre aqueles com o receptor da netrina-1.

A próxima etapa da pesquisa, que deve durar alguns anos, comparará a quimioterapia isolada com a combinada ao novo anticorpo. O tratamento também poderá ser aplicado a outros tipos de tumor, como os de cabeça e pescoço, combinando o anticorpo com imunoterapia.

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