Mulher canta dormindo: médicos explicam sonambulismo e transtorno REM
Mulher canta dormindo: médicos explicam transtornos do sono

Vídeos de uma mulher que aparece dormindo, levanta no meio da madrugada, abre os olhos e começa a cantar músicas inteiras estão viralizando nas redes sociais. O fenômeno, que parece curioso, levanta questões sobre transtornos do sono que podem levar a comportamentos incomuns durante a noite. Médicos ouvidos explicam as diferenças entre sonambulismo e transtorno comportamental do sono REM, e alertam para os riscos à segurança e à saúde.

O que é o sonambulismo?

O sonambulismo é uma parassônia — termo usado para descrever comportamentos anormais que ocorrem durante o sono. Ele acontece no estágio mais profundo do sono, chamado N3, quando uma parte do cérebro responsável pela vigília se ativa sem que a pessoa acorde de verdade. “No cérebro, o que acontece é uma espécie de falha no sistema: mecanismos ligados à vigília invadem o sono profundo. Com isso, algumas áreas cerebrais permanecem adormecidas enquanto outras despertam parcialmente”, explica a neurologista Andrea Bacelar, membro titular da Academia Brasileira do Sono (ABS).

Essa divisão permite que o corpo se mova, fale e execute ações sem que a pessoa tenha consciência do que está fazendo. “Apesar de conseguir se mexer, falar, no sonambulismo a pessoa não conta uma história com começo, meio e fim. A fala fica meio desconexa, é difícil conseguir entender o que se diz”, acrescenta Bacelar. As pessoas costumam ficar com os olhos abertos, podem ocorrer episódios de choro, grito, sustos. No entanto, no dia seguinte, a pessoa não se lembra de nada. “Esse quadro é mais comum na adolescência e, em geral, se resolve na vida adulta. São raros os casos de quadros como esse em adultos. Temos algumas situações de gatilho, mas elas não fazem com que a pessoa tenha vários episódios seguidos”, explica a neurologista.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Transtorno comportamental do sono REM

O sono REM é a fase em que os sonhos acontecem. Em condições normais, o cérebro envia sinais que paralisam a musculatura do corpo durante esse estágio — é isso que impede que a pessoa reproduza fisicamente o que está sonhando. Quando esse mecanismo falha, ela passa a agir de acordo com o conteúdo dos sonhos. “Diferente do sonambulismo, quem tem o transtorno REM costuma acordar com memória do que estava sonhando — consegue descrever a cena, o ambiente, o que estava fazendo. É como se acordasse e percebesse que estava sonhando”, explica o médico especialista em sono e presidente da Associação Brasileira de Medicina do Sono (ABMS), Almir Tavares.

Nesse tipo de caso, os movimentos tendem a ser mais abruptos e intensos, e os episódios costumam ser curtos. Na maior parte dos casos, os olhos permanecem fechados durante o episódio. “Esse quadro é mais raro e também mais grave. É preciso acompanhamento médico para diagnóstico e tratamento porque afeta diretamente a qualidade do sono e, com isso, afeta outras áreas da saúde”, alerta Tavares.

Riscos e recomendações

Os médicos explicam que não é possível fazer um diagnóstico apenas com base em vídeos. Ainda assim, avaliam que o comportamento exibido não parece se encaixar de forma típica nem no sonambulismo nem no transtorno comportamental do sono REM. Ambos os quadros exigem avaliação médica, pois se movimentar durante o sono, sem consciência do que está acontecendo, pode representar riscos à segurança da própria pessoa. Além disso, esses transtornos prejudicam a qualidade do sono e podem levar a fadiga crônica, dificuldade de concentração e impactos na saúde mental.

Se estiver ao lado de alguém que tiver um quadro de sonambulismo ou de transtorno REM, o mais indicado é não tentar acordar a pessoa. De acordo com os médicos, é mito que isso pode causar a morte. Porém, interromper o episódio abruptamente pode prolongar o estado de confusão mental. O mais indicado é conduzir a pessoa com cuidado de volta à cama. Os médicos pedem atenção para casos em que a pessoa se levanta da cama, sai de casa porque, para além de atrapalhar o sono, a pessoa pode se colocar em risco.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar