Lâmina engrossa pelo? Cera escurece pele? Mitos e verdades sobre depilação
Lâmina engrossa pelo? Cera escurece pele? Mitos e verdades

Quem escolhe se depilar sabe que pode ser uma tarefa chata e inacabável, com possíveis reações colaterais, como pelos encravados e irritações. Além dos efeitos na pele, surgem também dúvidas na cabeça: a lâmina engrossa os pelos? A depilação pode causar manchas? O que é mito e o que é verdade? Para responder a essas e outras perguntas, o Guia de Compras conversou com Marisa Gonzaga, dermatologista e especialista em dermatocosmiatria do Centro Universitário Faculdade de Medicina do ABC (FMABC).

Lâmina engrossa os pelos?

Mito. "Raspar os pelos não altera a espessura nem a cor deles", diz Marisa Gonzaga. "Se os pelos estiverem engrossando, isso pode estar relacionado a distúrbios hormonais. Nesse caso, é interessante procurar um dermatologista", explica a médica.

Depilar com lâmina escurece a pele?

Mito. "Se o paciente tiver alergia a lâminas, principalmente as descartáveis, o escurecimento pela irritação pode acontecer". Outra crença frequente é a de que a lâmina afeta a cor da pele de regiões como axilas e virilha, deixando manchas. A médica afirma que isso não costuma acontecer pelo uso da lâmina em si, mas ressalta que a pele pode escurecer quando há irritação causada pelo produto.

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Barbeador elétrico agride mais a pele?

Depende do produto. Existem dois tipos de máquinas: os barbeadores (ou aparadores), que cortam o pelo, e os depiladores elétricos, que arrancam o pelo pela raiz, assim como a pinça e a cera. No caso desses últimos, “a inflamação e vermelhidão que esses métodos causam ajudam a escurecer a região”, conta Marisa Gonzaga. Por isso, esses produtos costumam provocar uma inflamação temporária no local da depilação, o que pode favorecer o aparecimento de manchas, especialmente em dias com muito sol. Segundo a médica, é importante evitar exposição ao sol por 3 a 5 dias, dependendo do quão sensível é sua pele.

Cera quente é melhor que lâmina?

Mito. Ambos os produtos têm suas vantagens e desvantagens. A cera pode ter uma vantagem em relação aos pelos encravados, mas isso não significa que seja a melhor escolha para todas as pessoas, segundo a especialista. "A cera tem menos chance de provocar pelos encravados, mas também são necessários cuidados pela questão do aquecimento", afirma Gonzaga. O calor pode queimar e causar traumas na pele, o que, além de agredir, também aumenta a chance de escurecimento da região. Outra crença comum é a de que a depilação com cera aumenta o risco de doenças sexualmente transmissíveis. Segundo Marisa Gonzaga, isso não acontece. Por outro lado, a depilação pode favorecer infecções na pele, como foliculites e furúnculos, quando ocorre contaminação da região. "O uso de sabonetes antes e após a depilação pode minimizar este risco", explica a médica. Caso surjam infecções, Gonzaga orienta procurar uma avaliação médica antes de voltar a se depilar.

Cremes depilatórios causam alergia?

Verdade. Quem tem pele sensível pode, sim, sofrer com alergias com o uso do produto. Os cremes depilatórios usam compostos químicos para enfraquecer e quebrar os pelos. Assim como as ceras, esses produtos também costumam provocar menos pelos encravados, mas exigem muita atenção de quem tem pele sensível. A dica aqui é testar o produto em uma pequena região da pele e ver se há alguma reação anormal, como o surgimento de dermatites de contato, que causam irritação, vermelhidão e erupção cutânea. “Se houver dermatite de contato, é necessário procurar um dermatologista para indicar a pomada adequada de corticoide para rápida resolução e evitar manchas”, alerta Gonzaga. Fique atento caso já tenha tido alergia a bijuterias, adesivos e outros acessórios de contato – isso pode ser um sinal de que o creme não é para você. “Assim como bijuterias, cremes depilatórios e aparelhos de barbear descartáveis costumam ter sulfato de zinco”, diz a médica. Nas bijuterias, essa substância age como um retardante à oxidação e corrosão. Já no creme depilatório, ela é usada por sua propriedade queratolítica, ou seja, que consegue quebrar a queratina, principal elemento na composição do pelo.

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Pelo encravado: dá para evitar?

Todo método de depilação apresenta alguma chance de encravar, mas lâminas e barbeadores acabam sendo os mais arriscados, já que o corte faz os pelos crescerem mais "pontudos" e mais propensos a "enganchar" na superfície da pele. Para diminuir o risco, Gonzaga recomenda fazer durante ou após o banho, quando os pelos estão mais hidratados, e sem passar a lâmina muito rente. É importante sempre raspar no sentido do crescimento dos pelos. Apesar de a depilação durar um pouco menos, isso vai ajudar a evitar o encravamento. Depois, o ideal é hidratar a pele e evitar roupas muito apertadas, que aumentam o atrito. Já a cera e o creme depilatório têm menos chances de causar pelos encravados, mas têm desvantagens como um possível escurecimento da pele e riscos de alergias, como mencionado acima. Se, mesmo assim, isso continua sendo um problema, Gonzaga sugere considerar a depilação profissional a laser, de longa duração.