Vídeos nas redes sociais sugerem trocar whey protein por leite em pó desnatado para economizar, mas especialistas ouvidos pelo g1 afirmam que os produtos têm funções nutricionais diferentes e não são equivalentes para ganho de massa muscular. A substituição depende da dieta total, do objetivo do treino e não é indicada como regra geral.
O whey é um suplemento alimentar, subproduto do leite a partir do soro, rico em proteínas e pobre em carboidratos e gorduras. Já o leite em pó também tem proteínas, mas em menor quantidade, e maior teor de carboidratos (lactose). Ele é um alimento nutritivo que pode contribuir no aporte proteico diário, mas não é um suplemento.
Para a recuperação muscular, o mais importante é atingir o total de proteína do dia, ter energia suficiente, distribuir proteína ao longo do dia em doses adequadas, além de treino bem estruturado e sono de qualidade. “Quando essa base está resolvida, a diferença entre fontes de proteína tende a ser muito menor do que as redes sociais sugerem”, explica o nutricionista Eduardo Reis, membro do departamento científico da Associação Brasileira de Nutrição Esportiva (ABNE).
O whey é indicado para atletas de alto rendimento que não conseguem suprir toda demanda de proteínas via alimentação, para pessoas com limitações fisiológicas de saúde ou idade, ou para quem busca praticidade e flexibilidade em receitas. “A função do whey é suprir a falta de proteínas na rotina de atletas ou de pessoas que tenham dificuldade de ingerir fontes alimentares”, afirma a nutricionista Marcela Arena, especialista em transtornos alimentares pelo Ambulim-USP.
A maioria das pessoas que treinam não precisa de suplemento proteico, mas muitos se beneficiam. “Se a pessoa bate proteína com comida, dorme bem e treina com consistência, o suplemento é opcional. Se não bate, o suplemento pode ser uma ferramenta pragmática e segura — desde que a decisão seja guiada por cálculo e contexto, e não por moda ou pressão de rede social”, afirma Andrea Barros, fundadora da ABNE.



