Amizade na maturidade: legado da geriatra Claudia Burlá
Legado da geriatra Claudia Burlá: amizade na maturidade

A médica geriatra Claudia Burlá, referência nacional em cuidados paliativos e bioética, faleceu no dia 16 de junho de 2025, aos 64 anos. Sua partida precoce deixou um vazio entre colegas, pacientes e amigos, especialmente na jornalista Mariza Tavares, que dedicou uma coluna emocionada à trajetória da médica.

Uma amizade nascida nos microfones da CBN

Claudia Burlá foi uma das primeiras entrevistadas do programa 50 Mais CBN, apresentado por Mariza Tavares, Alexandre Kalache e Mara Luquet, em 20 de junho de 2015. "Aos poucos, de entrevistada tornou-se amiga", escreveu Tavares. "Impossível não se encantar com sua inteligência e paixão pela profissão." A médica era conhecida por sua atuação em cuidados paliativos, área sobre a qual deixou uma declaração lapidar: "É quando se pensa que não há mais nada a fazer que os cuidados paliativos podem fazer toda a diferença para a pessoa até o final da sua vida".

Uma vida dedicada à medicina e à bioética

Além de geriatra, Claudia possuía doutorado em bioética e era professora, palestrante e mentora. Durante a pandemia de Covid-19, trocou mensagens frequentes com Mariza Tavares, compartilhando artigos, indicações de filmes e séries, e colaborando na divulgação de colunas sobre saúde. "Sabia que qualquer nome que Claudia sugerisse estava entre os melhores na sua especialidade", relembra a jornalista.

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O diagnóstico e a luta contra o câncer

Em 2022, Claudia foi diagnosticada com um tumor cerebral e submetida a uma cirurgia delicada. Em suas próprias palavras, relatou estar "mergulhada na elaboração das 'ressignificações necessárias para sobreviver com a dignidade que sempre havia defendido'". Ela afirmou: "Ter um rótulo com o nome de uma doença grave é muito pesado, mas sigo sendo a minha protagonista e participando ativamente de todas as decisões". Recuperou-se e retomou o trabalho, mas em 2026 o câncer se espalhou novamente. Após uma segunda cirurgia, seu quadro se deteriorou rapidamente no início de junho de 2025.

O legado de Frida Kahlo aplicado ao envelhecimento

Em uma apresentação no congresso GeriatRio 2019, Claudia inspirou-se na pintora Frida Kahlo para criar o acrônimo FRIDA, que resume o processo de envelhecimento: Funcionalidade, Resiliência, Insuficiência, Dignidade e Autonomia. "Significa viver de acordo com minhas regras e meus valores", explicou. Esse conceito tornou-se um guia para muitos profissionais da área. Em seu velório, amigos e colegas repetiam palavras como "rigor e solidez profissional, integridade, generosidade". Mariza Tavares conclui: "Esse é o legado de Claudia Burlá, que, tenho certeza, muitos dos que a conheceram tentarão manter vivo".

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