Um estudo recente envolvendo 627 atletas profissionais aponta que a genética pode desempenhar um papel crucial na suscetibilidade a lesões esportivas. A pesquisa, que analisou o histórico de lesões e o perfil genético dos participantes, revelou que 80% deles já haviam sofrido pelo menos uma lesão ao longo da carreira. Os resultados indicam que variações em genes específicos, como o FAAH, estão associadas a processos inflamatórios, reparação tecidual e percepção da dor, fatores que podem aumentar a probabilidade de lesões.
Metodologia e principais descobertas
O estudo foi conduzido com 627 atletas de diferentes modalidades, todos em nível profissional. Os pesquisadores coletaram amostras de DNA e cruzaram os dados genéticos com o histórico de lesões reportado pelos participantes. A análise mostrou que 80% dos atletas sofreram lesões durante a carreira, sendo as mais comuns distensões musculares, lesões ligamentares e tendinites. Além disso, foram identificadas variantes genéticas que influenciam a inflamação e a capacidade de regeneração dos tecidos.
O papel do gene FAAH
Um dos destaques da pesquisa é o gene FAAH, que codifica uma enzima envolvida na degradação de endocanabinoides, substâncias que modulam a dor e a inflamação. Variações nesse gene podem levar a uma maior percepção de dor e a uma resposta inflamatória exacerbada, aumentando o risco de lesões. "Os atletas com determinadas variantes do FAAH apresentaram uma incidência 30% maior de lesões musculares", afirmou o coordenador do estudo, Dr. Carlos Mendes, em entrevista à Agência O Globo.
Implicações para a prevenção e o desempenho
Os pesquisadores destacam que conhecer o perfil genético dos atletas pode ser uma ferramenta valiosa para prevenir lesões e otimizar o desempenho. Com base nos resultados, é possível personalizar treinos, ajustar cargas de trabalho e adotar estratégias de recuperação específicas para cada indivíduo. "A genética não é destino, mas oferece informações importantes para reduzir riscos e melhorar a longevidade esportiva", explicou o Dr. Mendes.
Contexto e relevância
O estudo foi realizado em parceria com centros de pesquisa esportiva e universidades, e seus achados foram publicados em periódico científico especializado. A pesquisa reforça a importância da medicina personalizada no esporte, onde o DNA pode ser usado como aliado na prevenção de lesões que muitas vezes encurtam carreiras, como no caso do atleta Wesley, que está fora da Copa do Mundo de 2026 devido a uma lesão.
Próximos passos
Os cientistas pretendem ampliar a amostra para incluir atletas de diferentes países e modalidades, além de investigar outros genes relacionados à recuperação muscular e à resistência. A longo prazo, espera-se que o teste genético se torne parte da rotina de avaliação de atletas de alto rendimento.



