Na fronteira Brasil-Paraguai, a busca pelas canetinhas do Mounjaro gera suas histórias
A corrida por medicamentos mais baratos na fronteira entre Brasil e Paraguai não é novidade, mas a busca pelas canetinhas do Mounjaro, um remédio para diabetes tipo 2, tem gerado histórias inusitadas. O fármaco, que também é usado off-label para perda de peso, se tornou alvo de brasileiros que cruzam a fronteira em busca de preços mais acessíveis.
O mercado paralelo das canetinhas
Nas cidades gêmeas de Foz do Iguaçu (Brasil) e Ciudad del Este (Paraguai), o comércio do Mounjaro movimenta tanto o mercado formal quanto o informal. Relatos de pacientes que viajam horas para adquirir o medicamento são comuns. Alguns chegam a formar grupos em redes sociais para organizar caravanas. A diferença de preço pode chegar a 50% em relação ao Brasil, onde o remédio é vendido a preços elevados.
Histórias de quem busca o tratamento
Dona Maria, de 62 anos, diabética há mais de uma década, conta que economizou R$ 300 ao comprar o Mounjaro no Paraguai. Já João, de 45 anos, que usa o medicamento para emagrecer, diz que a burocracia na alfândega é o maior desafio. Ele já foi abordado pela Receita Federal e precisou apresentar receita médica para justificar a compra. Casos como esses se multiplicam, revelando uma rede de solidariedade e também de riscos, já que a venda irregular do medicamento preocupa as autoridades sanitárias.
Riscos e alertas
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alerta para os perigos da compra de medicamentos sem procedência. O Mounjaro (tirzepatida) exige prescrição e acompanhamento médico. No Paraguai, a fiscalização é menos rigorosa, o que facilita a aquisição, mas também expõe os pacientes a falsificações e armazenamento inadequado. Médicos brasileiros recomendam cautela e lembram que o tratamento para diabetes não pode ser interrompido ou alterado sem orientação profissional.
Enquanto isso, a busca pelas canetinhas continua, alimentando um comércio que mistura necessidade, economia e, em alguns casos, esperança. A fronteira segue como palco de histórias de quem luta pela saúde em meio a desafios burocráticos e econômicos.



