Durante as férias escolares, é comum que as crianças aumentem o consumo de alimentos ultraprocessados, reduzam a atividade física e passem mais tempo em frente às telas. No entanto, especialistas alertam que é possível e necessário manter uma rotina saudável mesmo nesse período.
Tempo de tela deve ser limitado
O endocrinologista pediátrico Miguel Liberato recomenda que o tempo de exposição a dispositivos eletrônicos seja mantido dentro dos limites indicados para cada faixa etária, mesmo nas férias. Para crianças menores de 2 anos, a exposição deve ser zero. De 2 a 5 anos, o limite é de até uma hora por dia; de 6 a 10 anos, até duas horas; e dos 11 aos 18 anos, no máximo três horas diárias. Liberato sugere que os pais evitem que adolescentes usem aparelhos durante a noite e destaca que jogos educativos e atividades em família podem ser alternativas positivas.
Atividade física compensa o recesso
Com a pausa nas escolinhas de esporte, é essencial estimular brincadeiras ao ar livre, como pular corda, futebol, queimada, basquete, andar de bicicleta, esconde-esconde e pega-pega. Liberato enfatiza que a atividade física ajuda a equilibrar o consumo e o gasto calórico, melhora o sono, a força, a saúde mental, o metabolismo de açúcar e gordura, além de beneficiar o sistema cardiovascular, respiratório, a mineralização óssea, a cognição, a autoestima e a socialização.
Alimentação equilibrada é fundamental
O terceiro pilar para um período de férias saudável é a alimentação. Liberato recomenda manter a rotina alimentar da família na maioria das refeições, evitando substituir almoço e jantar por fast food com frequência. Sobremesas e alimentos não habituais podem ser consumidos, mas sem exageros. “O mais importante das férias é ter esse momento prazeroso, em família, para gerar memórias. O equilíbrio é o ponto central”, afirma o médico.
Obesidade infantil em crescimento
O Atlas Mundial da Obesidade 2026, divulgado pela Federação Mundial de Obesidade, aponta que 20,7% das crianças e adolescentes de 5 a 19 anos no mundo têm sobrepeso ou obesidade, o que representa 419 milhões de jovens. No Brasil, a situação é ainda mais grave: cerca de 16,6 milhões de crianças e adolescentes (quase 40% da faixa etária) estão com sobrepeso ou obesidade. A projeção é que, em 2040, o percentual chegue a 50%.
Liberato conclui que a combinação de atividade física regular, limitação do tempo de tela e alimentação equilibrada é essencial para combater a obesidade infantil e garantir que as férias sejam um período de diversão e saúde.



