Febre maculosa: por que controlar capivaras é urgente após mortes em Campinas
Febre maculosa: urgência no controle de capivaras após mortes

Quatro mortes em Campinas reacendem o alerta sobre a febre maculosa, doença de difícil diagnóstico e altamente letal causada pela bactéria Rickettsia rickettsii. A infecção ocorre pela picada de carrapatos contaminados, que adquirem a bactéria ao se alimentar de mamíferos infectados, como cavalos, cachorros e capivaras.

O ciclo da doença e a formação de focos

Em ambientes como pastos com lagoas, onde convivem cavalos, capivaras e cachorros, carrapatos são comuns. Na maioria dos casos, a bactéria não está presente, e o risco é nulo. Porém, quando um carrapato infectado pica um mamífero, a bactéria se perpetua no local, criando um foco. "Enquanto nenhum ser humano entrar nesse ambiente, for picado e aparecer com febre maculosa, não sabemos se esse ambiente está ou não infectado", explica o especialista. O primeiro caso humano revela o foco.

Dificuldade de eliminar focos

Eliminar a bactéria exige eliminar os carrapatos, tarefa dificílima. A estratégia combina carrapaticidas nos hospedeiros (cães, cavalos, vacas e capivaras) e a remoção dos hospedeiros da área. Como filhotes de carrapatos sobrevivem meses sem se alimentar, o combate é longo e contínuo. "Aplicar carrapaticida em animais domésticos é relativamente simples, mas fazer o mesmo com capivaras é quase impossível", destaca. Por isso, focos em Piracicaba, Campinas e outros municípios persistem por décadas, associados a grandes populações de capivaras sem predadores naturais.

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O papel das capivaras na propagação

Na natureza, onças-pintadas, onças-pardas, sucuris e jiboias controlam a população de capivaras. Sem esses predadores, as capivaras se reproduzem rapidamente e se espalham por rios e lagos, permitindo a proliferação de carrapatos e da bactéria. "Uma solução seria controlar a população de capivaras, sacrificando parte da população. Ou seja, o homem assumir a função que na natureza cabe às onças e sucuris", afirma. No entanto, matar capivaras é crime, pois são protegidas por lei. "Isso precisa mudar, elas não são uma espécie ameaçada de extinção, sua população precisa ser controlada", defende.

Surgimento de novos focos

Novos focos surgem quando um mamífero infectado migra ou é transportado para uma área sem a bactéria. Cavalos, capivaras ou outros animais infectados introduzem carrapatos contaminados, criando um novo foco potencial. "Mais cedo ou mais tarde alguém será picado e pode morrer de febre maculosa", alerta. Para impedir a propagação, é necessário impedir a saída de animais de áreas infectadas sem certificação de que estão livres de carrapatos e da bactéria. Isso é viável para animais domésticos, mas difícil para capivaras, que seguem rios e já habitam as margens dos rios Pinheiros e Tietê, em São Paulo. "Mais cedo ou mais tarde um ciclista ou passageiro da CPTM vai caminhar pela beira do rio, vai pegar um carrapato, e vai morrer de febre maculosa", prevê.

Transporte ilegal de capivaras agrava risco

Condomínios, parques e pequenas cidades, impedidos de sacrificar capivaras, têm capturado e transportado bandos em caminhões, soltando-os em outras localidades. Isso espalha não apenas as capivaras, mas também carrapatos e a bactéria, agravando a disseminação da doença. "Para impedir a propagação da febre maculosa é indispensável localizar os focos atuais e impedir a saída desses locais de grandes mamíferos sem certificação", reforça.

Necessidade de mudança legal

O especialista conclui que as capivaras, apesar de simpáticas, são parentes dos ratos, reproduzem-se com facilidade e transmitem doenças letais. "Por essas razões é essencial permitir o abate das capivaras de modo a controlar sua população e evitar o alastramento descontrolado da febre maculosa", finaliza.

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