Um estudo realizado por técnicos da Agência de Águas do Estado de São Paulo (SP Águas) apresentou um diagnóstico alarmante sobre o risco de indisponibilidade hídrica em municípios paulistas. De acordo com o relatório, 43 mananciais estão ameaçados, o que comprometeria o abastecimento de água para cerca de 2 milhões de pessoas. Entre as cidades mais afetadas estão Bauru, Caraguatatuba, Marília, Presidente Prudente, São José do Rio Preto e Sorocaba.
Investimento e diagnóstico
A SP Águas investiu R$ 7,7 milhões no Projeto Mananciais, parte do Programa Rios Vivos, para mapear a situação hídrica do estado. O estudo identificou 596 hectares de áreas úmidas prioritárias para conservação e 393 hectares que necessitam de recomposição florestal. A agência não apenas diagnosticou o problema, mas também propôs soluções baseadas em ciência e análise de dados, visando auxiliar os gestores municipais na garantia do abastecimento.
Urgência e dependência hídrica
Segundo o Instituto Geográfico e Cartográfico de São Paulo, pelo menos 200 dos 645 municípios paulistas dependem de captação superficial de água, como rios e represas. Dos 46 milhões de habitantes do estado, 80% utilizam água de rios, o que aumenta a preocupação diante das mudanças climáticas, variações nos regimes de chuva e baixa vazão nos mananciais. O risco de racionamento afeta tanto a população quanto a economia.
Plano de ação e custos
O plano da SP Águas está estruturado em três eixos: Águas do Tietê, Águas Norte e Sul e Litoral. As prefeituras terão a responsabilidade de implementar ações como recuperação florestal, com plantio de mais de 600 mil mudas de árvores, além de obras de contenção de erosões e estabilização de margens. O objetivo é resgatar os cursos d'água e aumentar a resiliência hídrica, beneficiando milhões de cidadãos.
Para executar o plano, serão necessários investimentos da ordem de R$ 1,4 bilhão. Embora o valor seja expressivo, o estado de São Paulo, com sua economia robusta, tem condições de arcar com esses custos. Cabe aos municípios, em parceria com o governo estadual, implementar as políticas públicas de saneamento e garantir o acesso seguro à água. A SP Águas forneceu o diagnóstico e as soluções; agora, é preciso agir.



