Cientistas que correm para desenvolver potenciais vacinas e tratamentos contra a espécie Bundibugyo do Ebola estão sem uma amostra viável do vírus para usar nos testes. A falta de acesso a isolados virais tem gerado tensões sobre o compartilhamento de patógenos, enquanto a República Democrática do Congo (RDC) não transfere as amostras para fora do país.
Surto atual e desafios de pesquisa
O surto de Ebola Bundibugyo, uma das cepas mais letais, já causou dezenas de mortes na RDC. Trabalhadores em Bunia, na província de Ituri, atuam em meio ao surto, como mostra imagem de Benediction Murhabazi/AFP. No entanto, pesquisadores internacionais relatam que não conseguem obter amostras do vírus para realizar testes essenciais.
Segundo fontes científicas, a RDC mantém os isolados virais em laboratórios locais, mas não os libera para instituições estrangeiras. Isso impede que laboratórios em outros países possam cultivar o vírus e testar candidatos a vacinas e medicamentos.
OMS em negociações
A Organização Mundial da Saúde (OMS) busca negociar um acordo para facilitar o acesso a patógenos, garantindo que países afetados recebam benefícios, como vacinas e tratamentos a preços acessíveis. "Precisamos de um sistema que assegure compartilhamento rápido de amostras e distribuição justa de contramedidas", afirmou um porta-voz da OMS, que preferiu não ser identificado.
As negociações envolvem também o governo da RDC, que alega preocupações com a soberania e o risco de exploração. A falta de acesso a amostras viáveis atrasa o desenvolvimento de contramedidas específicas contra o Bundibugyo, diferente do Ebola Zaire, para o qual já existem vacinas aprovadas.
Impacto na saúde global
Especialistas alertam que, sem cooperação, o mundo fica vulnerável a futuros surtos. "Cada dia sem uma vacina é uma oportunidade perdida de salvar vidas", disse um pesquisador envolvido nos esforços. A OMS espera que um acordo seja fechado nas próximas semanas, mas enquanto isso, a corrida contra o tempo continua.



