Câncer: 781 mil novos casos no Brasil até 2028; oncologia avança com novas terapias
Câncer: 781 mil novos casos no Brasil até 2028

O Instituto Nacional de Câncer (Inca) projeta que o Brasil registre cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028, um aumento de 10,9% em relação ao triênio anterior (2023-2025). O crescimento é impulsionado pelo envelhecimento da população, obesidade, sedentarismo, má alimentação e mudanças nos fatores de risco social e ambiental associados ao desenvolvimento de tumores.

Evolução da oncologia e desafios do cuidado integrado

Enquanto o número de casos cresce, a oncologia atravessa um período de rápida evolução. Terapias-alvo, imunoterapias e exames moleculares ampliaram as possibilidades de diagnóstico precoce e tratamentos mais eficazes. No entanto, as novas tecnologias tornaram a definição da conduta clínica mais complexa, exigindo a participação de múltiplos especialistas e um trabalho conjunto entre diversas áreas da medicina.

“Hoje os pacientes vivem mais e têm acesso a um número cada vez maior de opções terapêuticas. Isso exige uma tomada de decisão especializada, cada vez mais apoiada por diferentes profissionais, tecnologias e recursos diagnósticos”, afirma Gustavo Fernandes, vice-presidente de Oncologia da Rede Américas.

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Rede Américas: modelo integrado de assistência oncológica

Para atender a essa necessidade, foi criada a Rede Américas em 2025, a partir da fusão entre hospitais da Dasa e da Amil. A rede reúne 26 hospitais em oito estados (São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Bahia, Pernambuco, Sergipe, Rio Grande do Norte e Distrito Federal) e conta com 38 unidades oncológicas que trabalham com protocolos compartilhados, discussões multidisciplinares e acesso a recursos de alta complexidade.

“Estamos estruturando um projeto que integra assistência de alta complexidade, pesquisa clínica e incorporação responsável de novas tecnologias”, comenta Gustavo Fernandes.

A Oncologia Américas atende mais de 50 mil pacientes por mês, com 400 médicos, 250 consultórios, 430 boxes de infusão e 12 aceleradores de radioterapia. A rede também possui 14 centros de pesquisa clínica, com mais de 250 estudos em andamento e mais de 2.500 participantes.

Inovações tecnológicas e pesquisa clínica

Em 2025, o Hospital Nove de Julho, da Rede Américas, realizou a primeira telecirurgia robótica não experimental da América Latina, em um paciente submetido a prostatectomia no Rio Grande do Sul, com o cirurgião operando o robô de São Paulo. Esse avanço digital amplia o acesso a especialistas e beneficia portadores de neoplasias malignas.

Segundo a consultoria IQVIA, a oncologia de precisão deve crescer cerca de 8% ao ano no Brasil até 2030, movimentando mais de US$ 2 bilhões.

Destaques no congresso Asco 2026

Na Asco 2026, maior congresso de oncologia do mundo, realizado em Chicago, uma comissão de 50 oncologistas da Rede Américas acompanhou estudos que podem influenciar o tratamento de vários tipos de câncer. O estudo DESTINY-Breast09, voltado ao câncer de mama HER2-positivo metastático, mostrou que a combinação de trastuzumabe deruxtecana com pertuzumabe foi mais eficaz que o tratamento padrão dos últimos 15 anos.

“O DESTINY-Breast09 representa um marco importante na evolução do tratamento do câncer de mama HER2-positivo metastático. Para os pacientes, isso significa maior esperança, possibilidade de prolongamento da sobrevida e perspectivas de controle sustentado da doença”, afirma Romualdo Barroso, diretor nacional de Pesquisa Clínica da Rede Américas.

Outros estudos apresentados foram os ASCENT-03 e ASCENT-04, com Conjugados Anticorpo-Fármaco (ADCs) para câncer de mama triplo-negativo metastático. “Esses anticorpos conjugados podem superar a quimioterapia em diferentes contextos, reduzindo o risco de progressão”, observa Débora Gagliato, oncologista do Hospital Nove de Julho, que presidiu a sessão oral.

No câncer de ovário, o estudo ROSELLA mostrou redução de 35% no risco de morte e ganho de aproximadamente quatro meses na sobrevida mediana em mulheres com doença resistente à platina. “Quem acompanha essa realidade clínica sabe o quanto esses números são relevantes”, afirma a oncologista Mariana Scaranti, coautora do estudo.

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A oncologista Mariana Gouveia, do Hospital Nove de Julho, recebeu o prêmio Idea (International Development and Education Award), que oferece mentoria internacional e acesso a iniciativas de desenvolvimento profissional.

“Este movimento fortalece nossa estratégia de expansão em oncologia. A chegada de mais uma liderança médica de referência nacional, somada à ampliação da estrutura dedicada à oncologia, posiciona a Rede Américas em um novo patamar estratégico no cenário da saúde suplementar brasileira”, conclui Gustavo Fernandes.