A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) implementou um sistema inovador que combina imagens de satélite de alta resolução com inteligência artificial (IA) para monitorar simultaneamente cerca de mil quilômetros do Rio Tietê, seus reservatórios e as prainhas artificiais do interior paulista. A iniciativa faz parte do Programa IntegraTietê e abrange o trecho do rio desde Suzano, na Região Metropolitana de São Paulo, até a foz em Itapura (SP).
Como funciona a tecnologia
A tecnologia analisa a superfície da água em blocos de três metros por três metros, gerando alertas automáticos para a fiscalização sempre que identifica alterações na concentração de matéria orgânica, como esgoto, e a proliferação de algas. No interior do estado, o sistema terá um papel fundamental no acompanhamento da balneabilidade das prainhas artificiais, que são muito utilizadas pela população para turismo e lazer.
Áreas monitoradas
O projeto da Cetesb engloba os reservatórios de Barra Bonita, Bariri, Ibitinga, Promissão, Nova Avanhandava e Três Irmãos. Em Barra Bonita, serão acompanhadas as praias de Anhembi e Rio Bonito (Botucatu). Em Ibitinga, o monitoramento abrangerá Arealva e Iacanga. Já em Promissão, a tecnologia será aplicada nas praias de Mendonça, Sales, Ubarana e Sabino.
Complemento às análises de campo
De acordo com a Cetesb, o monitoramento remoto por satélite não substitui as análises de campo tradicionais, mas atua como um complemento. Atualmente, o órgão mantém mais de 550 pontos físicos de coleta em rios e reservatórios de todo o estado. Ao cruzar as amostras de campo com as imagens de satélite e dados de estações de tratamento e indústrias, a inteligência artificial monta um mapa de calor dividido em faixas de poluição que vão de 'baixa' a 'muito alta'. Quando o sistema aponta uma mancha crítica no rio, equipes técnicas são acionadas para fazer vistorias em campo e, se necessário, utilizam drones para detalhar o problema. A Cetesb projeta realizar cerca de 200 inspeções mensais em empreendimentos com potencial poluidor.
Investimento e transparência
O investimento na modernização da fiscalização ambiental já soma R$ 43 milhões desde 2023. Uma versão simplificada do painel de monitoramento foi disponibilizada para acesso da população, que pode consultar os dados por meio do aplicativo oficial da Cetesb ou pelo site do projeto. O anúncio do novo sistema ocorre em paralelo à atualização das regras de penalização ambiental no estado, que não sofriam mudanças estruturais há cerca de duas décadas. Com o endurecimento das normas, as multas para grandes despejos de efluentes sem tratamento ou infrações graves agora podem ultrapassar o valor de R$ 10 milhões.



