Moradores do Alto Acre podem realizar consultas gratuitas com dermatologistas entre esta quarta-feira (19) e sexta-feira (21) por meio do Projeto Roda Hans. A ação reforça o combate à hanseníase no estado do Acre.
Atendimento no Hospital Regional
A carreta equipada com consultórios e profissionais está estacionada no Hospital Regional do Alto Acre Raimundo Chaar, em Brasiléia, interior do Acre. O atendimento abrange a população de Epitaciolândia, Xapuri, Assis Brasil e municípios vizinhos, das 8h às 12h e das 13h às 16h.
A iniciativa é do Ministério da Saúde em parceria com a Sociedade Brasileira de Dermatologia, estados e municípios. O projeto alia capacitação profissional e atendimento especializado à população.
Capacitação de profissionais
Desde segunda-feira (15), médicos e enfermeiros participaram de uma formação voltada ao diagnóstico precoce, tratamento e acompanhamento da hanseníase. Após a etapa teórica, o projeto seguiu para a fase prática, permitindo que os profissionais acompanhem atendimentos reais sob supervisão de especialistas.
Pessoas que apresentem manchas na pele, feridas que não cicatrizam, alterações em pintas, caroços, perda de sensibilidade ou qualquer outro sinal que possa indicar doenças dermatológicas, incluindo a hanseníase, devem buscar atendimento médico. A carreta proporciona acesso a consultas especializadas para moradores que, normalmente, precisam percorrer longas distâncias em busca de atendimento.
Relatos de pacientes
A servidora pública Maria Antônia da Silva Bezerra procurou atendimento para a filha após o surgimento de manchas no couro cabeludo. “A gente não sabia o que fazer e fomos encaminhados para Rio Branco. Mas agora os dermatologistas vieram para cá e vamos ser atendidos em Brasiléia. É muito melhor porque a gente não tem condições de tirar dinheiro do próprio bolso para viajar”, relata.
O agricultor Arildo Zucoloto também aproveitou a passagem da unidade móvel para investigar sintomas. “Tenho uma mancha no braço e um problema na mão. Não sei o que é, por isso estou procurando um profissional. Aqui é mais difícil conseguir atendimento especializado e agora temos essa oportunidade”, comenta.
Ampliação dos atendimentos
A iniciativa busca ampliar a capacidade dos profissionais de saúde para identificar sinais da doença ainda nas fases iniciais, garantindo tratamento rápido e reduzindo o risco de sequelas. Segundo João Oliveira, mestre em Hanseníase do Ministério da Saúde, a proposta é fortalecer a atenção básica para que os pacientes possam receber assistência no próprio município.
“O nosso objetivo é capacitar os médicos da atenção básica, dos postos de saúde, no manejo, diagnóstico e tratamento da hanseníase. Entendemos que esses pacientes devem receber cuidados no próprio município, sem precisar viajar para outra cidade para receber atendimento especializado”, explica.
Para a enfermeira Andressa Albuquerque, de Epitaciolândia, a capacitação representa um importante reforço. “Esse treinamento é de suma importância para nós. A teoria aplicada reforça o nosso conhecimento e vai facilitar muito os futuros diagnósticos, porque teremos mais habilidade para reconhecer as manchas e realizar os testes necessários para a identificação da doença”, afirma.
A médica Bárbara Galeno Palitot, de Brasiléia, destaca que o diagnóstico precoce é fundamental. “Quando a gente identifica a doença, o paciente já pode receber o tratamento e ter uma qualidade de vida melhor. A hanseníase tem cura e é importante enfatizar isso. Durante muito tempo existiu um grande tabu em torno da doença”, ressalta.
Dados no Acre
O Acre fechou o ano de 2025 com 240 novos casos de hanseníase, segundo dados do programa estadual da doença. Com esses registros, o estado ocupa a oitava posição no ranking nacional e a quarta na Região Norte, com cerca de 16 casos por 100 mil habitantes. Em comparação com 2024, quando foram contabilizados 170 novos casos, houve aumento nas notificações.
Em 2026, a regional do Alto Acre registrou 25 novos casos de hanseníase. O município de Xapuri concentra o maior número de notificações, com 12 registros. Já Brasiléia e Assis Brasil contabilizam cinco casos cada, enquanto Epitaciolândia soma três ocorrências.
Conforme o Ministério da Saúde, o projeto Roda Hans é direcionado justamente aos municípios com maior incidência da doença para fortalecer a rede local de atendimento. “O projeto chega aos municípios com maior ocorrência de casos para capacitar os profissionais da atenção básica, para que eles estejam aptos durante todo o ano a atender pacientes com hanseníase”, destaca João Oliveira.



