O cacique Raoni Metuktire, líder indígena de 94 anos, permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital São Paulo, na Zona Sul da capital paulista, com quadro clínico estável. Segundo boletim médico divulgado nesta terça-feira (23), o cacique iniciou a transição para a alimentação por via oral e continua em observação. De acordo com o hospital, Raoni deu entrada na unidade na última sexta-feira (19) com obstrução intestinal alta e pneumonia aspirativa. No dia seguinte, foi submetido a uma cirurgia de desobstrução para manutenção do trânsito intestinal, sem intercorrências. Ainda segundo o boletim, o líder indígena está "sem febre, com função renal normal e respirando em ar ambiente". Uma nova atualização médica deve ser divulgada na tarde de quarta-feira (24), ou antes, caso haja alterações significativas no quadro clínico.
Transferência de Sinop para São Paulo
Raoni foi transferido de Sinop, no Mato Grosso, onde havia sido hospitalizado inicialmente em estado grave. Exames realizados na unidade mato-grossense apontaram alterações na função renal e indicadores compatíveis com um processo infeccioso grave. O cacique já havia apresentado boa evolução clínica nos primeiros dias após a cirurgia, permanecendo consciente e respondendo às solicitações da equipe médica.
Histórico de problemas de saúde
Raoni acumula um histórico recente de problemas de saúde. Em maio deste ano, ele foi internado após sentir fortes dores abdominais causadas por uma hérnia antiga e, posteriormente, voltou à UTI para tratar um quadro de pneumonia. Segundo o hospital que o acompanhava no Mato Grosso, ele apresenta múltiplas comorbidades, entre elas Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), cardiopatia com marcapasso implantado e insuficiência cardíaca. Em setembro de 2022, ficou internado por cinco dias no hospital de Sinop após ser diagnosticado com um problema cardíaco e passar por cirurgia para implante de marcapasso. Em julho de 2020, foi internado em Colíder após passar mal, sendo transferido de avião para Sinop com complicações gastrointestinais e desidratação. Em setembro do mesmo ano, foi novamente internado com diagnóstico de pneumonia, recebendo alta nove dias depois. Nesse período, também apresentou um quadro depressivo após a morte de sua esposa, Bekwyjkà Metuktire.
Trajetória de ativismo e reconhecimento
Raoni é uma das principais lideranças indígenas do Brasil, reconhecido internacionalmente pela defesa dos povos originários e da preservação da Amazônia. Ele iniciou seu ativismo em 1954, aprendeu português e foi uma voz importante para o reconhecimento dos direitos dos povos indígenas na Constituição de 1988. No ano passado, recebeu do presidente Lula o título de Grão-Mestre da Ordem Nacional do Mérito, a mais alta honraria do país. Em 1977, um documentário sobre sua vida foi exibido no Festival de Cannes. Em 1989, visitou 17 países ao lado do ex-baixista Sting. Em 2012, foi recebido pelo então presidente francês François Hollande no Palácio do Eliseu. Em 2020, recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat). Em 2023, acompanhou o presidente Lula ao subir a rampa do Palácio do Planalto. Em 2024, entregou uma carta ao Papa Francisco no Vaticano para falar sobre mudanças e catástrofes climáticas.



