Baleia-franca com boca aberta em SC: mito de engolir humanos é desmentido
Baleia-franca em SC: mito de engolir humanos é desmentido

Um vídeo de uma baleia-franca com a boca aberta, flagrada em Garopaba, Santa Catarina, viralizou nas redes sociais, reacendendo a antiga dúvida: seria possível uma baleia engolir um ser humano? A resposta, segundo a bióloga Bia, especialista em biologia marinha, é categoricamente não.

O que diz a ciência sobre a capacidade de engolir humanos

Apesar do tamanho impressionante desses mamíferos marinhos – as baleias-francas podem atingir até 18 metros de comprimento e pesar mais de 80 toneladas –, sua anatomia interna impõe limites rígidos. A bióloga explica que a garganta das baleias-francas é extremamente estreita, com apenas alguns centímetros de diâmetro, adaptada exclusivamente para filtrar plâncton, krill e pequenos crustáceos.

“Mesmo a enorme baleia-azul, o maior animal do planeta, não conseguiria engolir algo maior que uma laranja. A abertura da garganta é muito pequena para permitir a passagem de um ser humano”, afirmou a especialista. A crença popular, que atravessa gerações e inspira histórias como a de Jonas e Pinóquio, não encontra respaldo na realidade biológica.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

O vídeo que viralizou e a reação da internet

O registro, feito por um morador local e compartilhado no perfil @garopadroni, mostra a baleia-franca bocejando ou se alimentando próximo à superfície, com a boca escancarada. A imagem impressionou internautas, que logo associaram o momento a lendas sobre engolidores de homens. No entanto, a bióloga Bia ressalta que o comportamento é natural e inofensivo.

“As baleias-francas são filtradoras: abrem a boca para capturar grandes volumes de água repletos de alimento e depois fecham as mandíbulas, expelindo a água pelas barbatanas. O que parece um ‘bote’ é, na verdade, uma estratégia de alimentação”, detalhou.

Por que o mito persiste?

A ideia de ser engolido por uma baleia é mais ficção do que realidade, mas alimenta o imaginário popular há séculos. Da história bíblica de Jonas ao Pinóquio de Walt Disney, a narrativa de um homem dentro de um cetáceo é recorrente. A ciência, porém, é clara: não há registro confiável de uma baleia que tenha engolido uma pessoa viva. Em casos raros de aproximação, como o de um mergulhador que ficou na boca de uma baleia-jubarte em 2019, o animal rapidamente o expeliu, sem qualquer tentativa de deglutição.

“A boca de uma baleia-franca é grande, mas a garganta não. Qualquer objeto maior que uma toranja ficaria preso, causando asfixia ao animal. Por isso, elas evitam engolir coisas grandes”, concluiu a bióloga.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar