Novo tratamento não hormonal para fogachos é aprovado pela Anvisa
Anvisa aprova tratamento não hormonal para fogachos

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou um novo tratamento para fogachos – sensações súbitas de calor intenso que afetam mulheres durante o climatério e a menopausa. O medicamento fezolinetanto é o primeiro aprovado no Brasil que não utiliza hormônios, mas atua como regulador dos receptores cerebrais responsáveis pelo controle da temperatura corporal.

Como funciona o fezolinetanto

Diferente da terapia de reposição hormonal (TRH), o fezolinetanto não é um hormônio. Ele age diretamente no cérebro, modulando os receptores que regulam a temperatura. Segundo a ginecologista Maria da Penha Barbato, especialista em menopausa, “é um avanço importantíssimo porque é um tratamento para mulheres que não podem fazer reposição hormonal, porque tiveram câncer de mama, AVC ou outras contraindicações, ou para quem tem medo de fazer uso da TRH”.

Impacto dos fogachos na saúde

Os fogachos são fenômenos de vasodilatação periférica que causam microisquemias cerebrais. Eles atingem de 75% a 80% das mulheres durante uma média de cinco anos. “Em 25% das mulheres, podem durar 10 anos ou até o final da vida. O tratamento pode evitar doenças demenciais que aparecem como consequência, além de melhorar os distúrbios de sono de 60% a 80%”, explica Barbato.

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Aprovação e disponibilidade

A aprovação da Anvisa foi publicada no Diário Oficial da União. O preço do medicamento será definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos. O fezolinetanto já havia sido aprovado por órgãos reguladores dos Estados Unidos e da Europa desde 2023.

Contexto histórico

Barbato destaca que, em 2002, o estudo americano Women’s Health Initiative apontou de forma alarmista que a TRH aumentava os riscos de câncer de mama e problemas cardíacos. “Em consequência, a indústria farmacêutica e a comunidade acadêmica praticamente interromperam o investimento e o desenvolvimento em novas soluções para a menopausa por cerca de 20 anos. É um momento esperado por mulheres do Brasil inteiro”, afirma.

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