Animais não preveem terremotos, diz estudo com 130 espécies
Animais não preveem terremotos, confirma estudo

Um novo estudo científico colocou em xeque a crença popular de que animais conseguem prever terremotos. Pesquisadores analisaram 130 espécies e 160 eventos sísmicos e concluíram que não há evidências robustas que sustentem essa capacidade.

Vídeos virais e a falta de comprovação

Nas redes sociais, vídeos mostrando cães, gatos e outros animais agitados ou fugindo antes de tremores se tornam virais frequentemente. No entanto, segundo os cientistas, esses comportamentos não indicam previsão, mas sim a detecção de ondas sísmicas primárias (ondas P), que chegam segundos antes das ondas secundárias (ondas S), responsáveis pela destruição.

“Os animais podem sentir as ondas P, mas isso ocorre apenas instantes antes do tremor principal. Não há registro de comportamentos antecipatórios com horas ou dias de antecedência”, explicou um dos autores do estudo.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Metodologia do estudo

A equipe revisou centenas de relatos e dados de 160 terremotos, cruzando informações com observações de comportamento animal. Foram incluídas desde espécies domésticas até silvestres, como elefantes, pássaros e peixes. A análise estatística mostrou que os relatos de comportamento anormal antes de terremotos são inconsistentes e não superam o que seria esperado ao acaso.

Implicações para sistemas de alerta

Apesar do fascínio popular, os cientistas alertam que confiar em animais como sistema de alerta sísmico é arriscado. “Não podemos substituir os sistemas de monitoramento sísmico por observação animal. As evidências não suportam essa abordagem”, afirmou o pesquisador. Os sistemas oficiais, baseados em sismógrafos e redes de sensores, continuam sendo a ferramenta mais confiável para emitir alertas precoces.

O que dizem os especialistas

O estudo, publicado em periódico científico revisado por pares, reforça a posição da comunidade geofísica: não há mecanismo biológico conhecido que permita aos animais prever terremotos com dias de antecedência. “É uma ideia atraente, mas a ciência não a sustenta. O melhor é investir em tecnologia e educação para redução de riscos”, concluiu o especialista.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar