Um mês após explosão no Jaguaré, moradores ainda aguardam soluções habitacionais
Um mês após explosão no Jaguaré, moradores aguardam

Um mês após a explosão ocorrida em 11 de maio, durante uma obra da Sabesp no bairro do Jaguaré, na Zona Oeste de São Paulo, os moradores afetados pela tragédia ainda aguardam respostas sobre onde vão morar. O acidente deixou mortos, feridos e mudou a rotina de dezenas de famílias. A principal reclamação dos atingidos é a demora para obter respostas e uma solução definitiva.

Vítimas ainda vivem em hotéis

De acordo com líderes comunitários, praticamente um mês após a explosão ainda há pessoas vivendo em quartos de hotel. Nelson da Silva Farias, por exemplo, teve a casa onde nasceu destruída pela explosão. Ele ainda carrega cicatrizes dos cortes provocados por estilhaços de vidro que se espalharam pelo local e diz que não tem uma definição sobre o próprio futuro.

“Eu quero, na realidade, a reconstrução. Que é o certo. Eu não quero o dinheiro”, afirma Nelson. Ele diz ainda que não pretende deixar o local onde viveu a vida inteira. “Eu sou fundador. Por isso que eu não quero abrir mão do lugar.” Ele também afirma que ainda não recebeu o auxílio-aluguel. “Falaram que eu tenho que assinar uma documentação para liberar esse dinheiro. Amanhã eu vou lá, não sei o que eu tenho que assinar, nem como vai ser.”

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Famílias se mudam para aluguel após pressão

A diarista Elizabete Luiza da Silva, a filha e o neto deixaram a casa onde moravam apenas com a roupa do corpo no dia 11 de maio. O cortiço formado por sete casas, onde ela vivia há quase 40 anos, foi interditado para demolição, no entanto, as famílias ainda não sabem quando isso vai acontecer. Depois de passar um mês em um hotel, a família se mudou esta semana para uma casa alugada. “A gente pressionou. Porque hotel não dá”, conta Elizabete.

Questionada sobre a velocidade das respostas recebidas, ela responde: “Pra mim foi muito demorado, porque eu não tenho mais nem idade pra estar passando por isso, né?” A filha de Elizabete, Victoria Silva de Melo, afirma que o valor da indenização de R$ 250 mil não é suficiente para comprar outro imóvel no bairro. Por isso, a família optou por uma carta de crédito para adquirir uma nova casa, mas ainda tem dúvidas sobre o processo. “Para ser bem sincera, eu não sei como funciona. A gente vai descobrir conforme for passando os dias.”

Explosão e medidas das empresas

A explosão aconteceu na tarde de 11 de maio, quando uma equipe da Sabesp que trabalhava na rua perfurou uma tubulação da Comgás. Duas pessoas morreram e uma terceira ficou ferida. Segundo a Defesa Civil, 65 imóveis estão interditados. De acordo com a Sabesp, 804 famílias receberam um Pix emergencial de R$ 5 mil. A empresa afirma ainda que 44 famílias já receberam unidades habitacionais, cartas de crédito, aluguel temporário ou foram indenizadas. Segundo a companhia, 39 casas já foram reformadas e outras seis estão em obras.

Em nota, o governo do estado informou que está com a Sabesp e a Comgás auxiliando as famílias afetadas pela explosão. A Sabesp afirmou que segue mobilizada no atendimento às famílias impactadas e que continuará acompanhando cada uma delas até a conclusão das soluções. Já a Comgás disse que permanece em constante diálogo com a comunidade e com as autoridades para atender às demandas das famílias.

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